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A classe artística começou a semana desolada com a morte do querido e talentoso ator Flavio Migliaccio, que foi encontrado sem vida em seu sítio, em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, após cometer suicídio, na segunda-feira (04). Ele deixou uma carta aos familiares antes de partir aos 85 anos. “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste País é como tudo aqui. A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje”, desabafou.
A ocorrência foi registrada pelo 35º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro após uma chamada feita pelo caseiro da propriedade, que o ator mantinha desde a década de 70. Migliaccio nasceu na cidade de São Paulo e começou a carreira em peças de teatro na periferia da capital. Estreou na televisão em 1958, no Grande Teatro Tupi. Na Globo, sua primeira novela foi O Primeiro Amor (1972), e, logo em seguida, ele ficou muito conhecido ao viver Xerife, um dos protagonistas do seriado infanto-juvenil Shazam, Xerife e Cia (1972-1974).
Migliaccio atuou em 46 atrações da TV Globo, entre novelas, minisséries, séries, infantis e humorísticos. Ele se destacou em A Próxima Vítima (1995), Rainha da Sucata (1990), Tapas & Beijos (2013) e, mais recentemente, em Órfãos da Terra. Atualmente, ele está no ar na reprise de Êta Mundo Bom, no Vale A Pena Ver De Novo, onde dá vida ao irreverente fazendeiro Josias.
A atriz Nathália Timberg lamentou o ocorrido e desabafou. “Diante do horror que estamos vivendo, precisamos quase que enterrar nossa sensibilidade para aceitar sobreviver. Hoje, perdemos para esse horror um grande artista. Flavio Migliaccio nos deixa como uma vítima imolada no altar dessa insensível irresponsabilidade reinante. Não há palavras que consigam expressar minha dor e revolta”, afirmou através de um comunicado oficial.
Sensatez artística
Seja nos palcos dos teatros, seja nos sets de gravação na TV, Flavio Migliaccio sempre foi querido e respeitado. Com os intensos ataques recentes ao setor artístico, ele, ainda vivo, fez um pedido em tom de desabafo.
“Muito obrigado. Eu queria aproveitar também para dar um recado para as autoridades. Com toda a humildade que eu tenho, eu peço: deixem o ator em paz! O ator não oferece perigo, o ator é um sonhador, ele não oferece perigo nenhum. Ele quer sonhar, só. Ele quer conhecer outros mundos. É isso que é o ator. A própria sociedade tem os seus mecanismos para rejeitar ou aceitar as ideias do autor. Então, deixa ele em paz, por favor. Muito obrigado”, concluiu.
Descanse em paz, Flavinho. O senhor tem o respeito inconteste desta coluna, que tanto preza e respeita a classe artística.