A pandemia de COVID-19, que chegou ao Brasil no início de 2020, afetou profundamente todos os estados, e o Ceará não foi exceção.
Com uma população de mais de 9 milhões de pessoas, o estado enfrentou inúmeros desafios no combate ao vírus, sendo um dos primeiros a registrar casos e também a experimentar os impactos tanto na saúde quanto na economia local. O doutor Cabeto Martins foi Secretário de Saúde do Ceará na época. Ele faz um relato dos primeiros momentos após a disseminação do vírus.
Tínhamos pouca informação. Bem no começo, lá em dezembro de 2019, quando começamos a ver as notificações da situação na China, e depois a expansão para Europa e Estados Unidos. Depois as informações foram ficando um pouco mais claras e formamos um comitê de combate à pandemia e a partir daí tentamos apressar as medidas que tínhamos preparado como a expansão dos leitos de UTI no Ceará.
Além da sobrecarga no sistema de saúde, a pandemia teve um impacto econômico importante. O fechamento de estabelecimentos e redução nos empregos afetou as famílias mais vulneráveis.
O governo estadual lançou uma série de programas de auxílio, incluindo a distribuição de cestas básicas e a implementação de medidas emergenciais para apoiar pequenos empresários e trabalhadores informais.

Fotos: Lino Vieira
Com o início da vacinação, em 2021, a situação começou a melhorar. O Ceará foi uma das unidades da federação a intensificar rapidamente o processo de imunização, priorizando grupos de risco, trabalhadores da saúde e a população idosa.
"A população com comorbidades é muito frágil. Era uma corrida para as vacinas, mas a partir da vacinação a gente viu cair o nível de internamentos e mortes brutalmente. Nós precisávamos de tempo, então teve essa disputa entre economia e salvar vidas que a gente viu no Brasil", conclui dr. Cabeto.
Em 2022 e 2023, com o avanço da vacinação e o enfraquecimento das ondas de contágio, o estado viu uma recuperação significativa em relação a casos e mortes por Covid-19.