Cid Gomes defende integração nacional das forças de segurança e critica polarização política
Em entrevista ao jornalista Tiago Lima, senador reeleito pelo Ceará também comentou a disputa presidencial, a relação com o irmão Ciro Gomes e a necessidade de transparência na vida pública.

O senador Cid Gomes (PSB) defendeu a criação de um sistema nacional integrado de segurança pública, coordenado pela União, com participação das polícias estaduais e das guardas municipais.
Para Cid, o combate ao crime organizado precisa ir além das ações estaduais e alcançar as lideranças das facções, inclusive aquelas que comandam atividades criminosas de outros estados. Ele defende uma mudança constitucional para permitir a coordenação nacional das forças de segurança, sem retirar a autonomia dos governos estaduais.
“Eu defendo compartilhar, não é tirar a autonomia do Estado, mas fazer um sistema único sob a coordenação central”.
Lei antifacção e combate à extorsão
Cid Gomes avaliou que a legislação antifacção recentemente aprovada representa um avanço, especialmente por permitir que vítimas de ameaças façam denúncias sem precisar se expor diretamente. Ele citou casos de comerciantes pressionados por integrantes de organizações criminosas, que exigem dinheiro ou cobram valores por serviços e atividades em determinadas comunidades.
Na avaliação do parlamentar, o desafio agora é garantir que a nova legislação seja efetivamente aplicada. Para isso, ele considera necessário agilizar a atuação do sistema de Justiça e preparar os profissionais responsáveis pela investigação e pelo julgamento desses crimes.
“Tem que pegar os cabeças”, ressaltou, ao defender uma estratégia coordenada nacionalmente para alcançar os principais responsáveis pelas organizações criminosas.

Cid Gomes critica polarização e aposta em mudança no cenário políticoAo comentar a disputa pela Presidência da República, Cid Gomes criticou a polarização entre os grupos políticos ligados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à família Bolsonaro. Para ele, a disputa baseada na rejeição ao adversário prejudica o debate de ideias e afasta parte da população da política.
“A gente acaba deixando de votar por uma crença. A gente vota por medo ou por rejeitar uma outra pessoa. Vota pela negação e não pela afirmação”, declarou.
Sobre as pesquisas eleitorais, o senador afirmou que os levantamentos são importantes para orientar campanhas, mas não determinam o resultado das urnas. Ele observou que muitos eleitores têm decidido o voto cada vez mais perto do dia da eleição.
“Para mim, a eleição se decide no dia”.
Relação com Ciro Gomes e críticas aos debates
Durante a entrevista, Cid Gomes também falou sobre a relação com o irmão, Ciro Gomes. Questionado sobre a possibilidade de uma reaproximação política, o senador afirmou considerar pouco provável um realinhamento no momento, embora mantenha a esperança de uma reconciliação familiar.
“Eu tenho esperança de que, enquanto irmãos, a gente possa um dia apertar as mãos”, afirmou.
Cid também comentou a possibilidade de Ciro ter disputado a Presidência da República. Na avaliação dele, o ex-ministro poderia ter conquistado entre 6% e 8% dos votos e desempenhado um papel importante na definição do segundo turno, além de fortalecer seu posicionamento para eleições futuras.












