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"Tratamento tumor-agnóstico: uma nova perspectiva dentro da oncologia", por Rafael Cruz

No dia Nacional de combate ao câncer vale destacar um novo tratamento que renova a esperança de pacientes

Foto: Medprev

Nos últimos anos, a Oncologia vem passando por um processo de avanço bastante dinâmico. Neste dia 27, data alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Câncer, é importante divulgar e reforçar novas técnicas e tratamentos que renovam as esperanças de quem sofre com a doença. O desenvolvimento de técnicas que possibilitam o estudo da biologia tumoral estão a frente de toda essa mudança, pois, agora é possível estudar a genética dos tumores, podendo, na maioria das vezes, identificar a alteração no gene que levou a formação do clone celular aberrante e o desenvolvimento tumoral. 

Este novo cenário, possibilitou o desenvolvimento de drogas que são direcionadas aos genes defeituosos ou as proteínas produzidas por essas células defeituosas, com o intuito de uma inativação seletiva, ou também conhecida como: TERAPIA ALVO. 

Atualmente temos uma variedade de exames capazes de fazer essa avaliação genética, bem como uma gama de terapias alvo, que agem de forma seletiva e bastante eficaz nos pontos de mutação chamados de “drive mutations”.

O tratamento do tumor-agnóstico representa uma nova maneira de pensar sobre as terapias contra o câncer, diferente dos esquemas de quimioterapias tradicionais. Uma vez que você pode fazer uma avaliação genética previa do tumor, antes de escolher o tratamento a ser instituído, garantindo resultados com maiores taxas de resposta associado a menos toxicidade.
 
No Brasil, temos a aprovação do uso de terapia agnóstica para os pacientes que apresentam fusão no NTRK, independente do sítio de desenvolvimento tumoral. 

As perspectivas são as melhores, pois, dessa forma, os tratamentos ficarão cada vez mais personalizados e com maior precisão, porém existirá toda a dificuldade do acesso aos testes genéticos e as medicações, que geralmente apresentam um custo bastante oneroso, causando uma toxicidade financeira considerável ao sistema de saúde, seja ele publico ou complementar.

 

Texto por Rafael Cruz, médico oncologista.

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