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"Há que se manter o amor à vida", por padre Airton Freire


Foto: Divulgação

Há que se manter o amor à vida, apesar da morte. Há que se crer, apesar da dúvida acompanhar e não querer fazer aportes. É preciso manter vivo o tema que vem pela chama da superação, apesar de reiteradas vezes a alma se sentir decepcionada com atos de negação.

É preciso acreditar que o bem é possível se fazer presente nos convívios, apesar dos mais bem intencionados apresentarem, de não raro, algum deslize. É preciso acreditar que o que há de mais constante ao auxílio da verdade virá e que esta proporcionará uma possibilidade de que se estabeleça e não pereça o que vem por uma ruptura com a unilateralidade.

A ética da alteridade busca manter acesa a chama e tornar possível o acesso ao convívio humano, na multiplicidade e no respeito que enriquecem e engrandecem. Fazer desse ato uma prática que restabelece a confiabilidade nos atos humanos antes dilacerados, é preciso. Contudo, há que se criar condições de possibilidades para que uma ética nascedoura em prática humana e dela, contudo, esquecida, uma vez acontecida, possa ser mantida, reinstaurada, reinaugurada ou praticada, amada em qualquer instância ou atividade onde por atividade humana se resolver chamar os ritos de entrada.

Há que se manter viva a esperança que supera a ânsia. Há que se acreditar que não só para o tempo presente se vive esse presente, que é o presente de viver e também de sonhar.

É preciso saber que somente na interação com o outro é que se descobre a si mesmo e um si mesmo ainda em construção. É preciso que a presença do outro dê suporte para que isso possa, em plenitude, vir a se fazer.

O que se diz do lado de cá também se diz do lado de lá. Pois ambas as partes ou as múltiplas partes implicadas num processo de superação trazem consigo a marca de um desejo inconcluso que demanda por uma opção de alteridade, que é de inclusão da diversidade ou de uma exclusividade resultante e que a história tem comprovado, em absurdos atos de totalidade. Fazer unidade na diferença há de ser o teu credo, a tua crença, sabendo que os que disso têm ciência fazem à verdade justiça, a justiça de viver com respeito, apesar de todo despeito que a competitividade disso negue ou do mapa ainda risque.

Por padre Airton Freire

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