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Papa Francisco muda Direito Canônico para ter mulheres acólitas no altar

Anterior à decisão de Francisco, apenas homens podiam receber os ministérios de leitor e acólito de forma institucionalizada.

Com uma canetada Papa muda lei e agora mulheres poderão se tornar acólitas institucionalizadas. 

Na Festa do Batismo do Senhor, celebrada neste domingo, dia 9, Papa Francisco surpreende a comunidade católica com o decreto publicado em forma de Motu Próprio “Spiritus Domini” declarando  que agora mulheres também podem receber os ministérios de leitorato e acolitato. Para passar a valer o novo decreto, Sua Santidade teve de mudar com uma canetada o artigo 230 do Código de Direito Canônico, que agora passar a vigorar nesta formaulação:

“Os leigos que tenham a idade e as aptidões determinadas por decreto da Conferência Episcopal, podem ser empregados de forma permanente, através do rito litúrgico estabelecido, nos ministérios de leitores e acólitos; entretanto, esta outorga não lhes dá direito ao sustento ou remuneração da Igreja ”.

Até 1972, estes ministérios eram considerados ordens menores, que, abolidas pelo Papa Paulo VI se mantiveram como possíveis aos homens, tendo em vista a preparação para a recepção das Ordens Sacras. Com o novo decreto de Francisco o entedimento mudou. Segunda o Motu Proprio, a inspiração para decisão de Francisco veio dos últimos sínodos. "Algumas Assembleias do Sínodo dos Bispos sublinharam a necessidade de estudar doutrinariamente o assunto, para que responda à natureza dos carismas mencionados e às necessidades dos tempos, oferecendo um apoio adequado ao papel de evangelização que pertence à comunidade eclesial", escreve o Papa.

A principal influência para a novidade  veio do controverso Sínodo da Amazônia, como se explicita na carta, escrita pelo próprio Papa  para a Congregação para a Doutrina da Fé que acompanhou o Motu Proprio, trazendo um trecho do documento Querida Amazônia: "Para toda a Igreja, na variedade de situações, é urgente que os ministérios sejam promovidos e conferidos a homens e mulheres.... É a Igreja dos batizados que devemos consolidar, promovendo a ministerialidade e, sobretudo, a consciência da dignidade batismal". 

O Motu Proprio poderá servir para aplacar um pouco as definições do "Querida Amazônia", considerada pela ala progressista da Igreja e certos observadores como decepcionante no que refere à dimensão pastoral, especialmente no tocante à ordenação de mulheres, uma das bandeiras levadas por alguns teólogos para aquela reunião, e que não prosperou. 

Vale lembrar que uma nova comissão de estudos foi formada por Sua Santidade para a pesquisa sobre o Diaconato feminino na  Igreja. Como diz o próprio papa na Laudato Si, "tudo está interligado". É só juntar os pontos. Avante, Francisco. 

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