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Mesmo com flexibilização, viagem internacional permanece em baixa

LARISSA GARCIA - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O isolamento social foi flexibilizado em grande parte do país, mas os brasileiros ainda não viajam para fora. Dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (23) mostram que os gastos de turistas no exterior caíram 77% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado.  Ao todo, os brasileiros desembolsaram US$ 301,5 milhões (R$ 1,68 bilhão) em outros países em viagens. O número é um pouco melhor do registrado em agosto, de US$ 269 milhões (R$ 1,5 bilhão), mas continua muito inferior ao observado antes da pandemia do novo coronavírus.

Em setembro do ano passado, os gastos de brasileiros com viagens internacionais somaram US$ 1,3 bilhão (R$ 7,26 bilhões). Além do medo de contágio e dólar alto, alguns países impuseram restrições para viajantes brasileiros diante da gravidade da pandemia no país, como quarentena, exame negativo para Covid-19 e controle de temperatura, o que também desencoraja os turistas. Os gastos de estrangeiros no Brasil também segue em baixa. Em setembro, foram desembolsados US$ 163 milhões no país, 59% a menos que no mesmo mês de 2019 (US$ 400 milhões).

Dados preliminares do BC para outubro, até o dia 20, mostram que a tendência permanece. No período, os brasileiros gastaram US$ 198 milhões em viagens e os estrangeiros desembolsaram US$ 113 milhões no país.  As contas externas brasileiras fecharam setembro com resultado positivo em US$ 2,3 bilhões. Este é o sexto mês consecutivo com superávit puxado pela balança comercial, que registrou US$ 5,3 bilhões.

A balança comercial tradicionalmente apresenta superávit (mais exportações que importações) em momentos de baixa atividade econômica, já que o país importa mais nas épocas de expansão. Na prática, tanto as exportações quanto as importações diminuíram com a crise, mas a redução no fluxo de entrada de produtos estrangeiros no país foi mais drástica.
As exportações foram de US$ 18,5 bilhões em setembro, recuo de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações diminuíram 23,3%, para US$ 13,1 bilhões.
Nos últimos 12 meses, o déficit em transações correntes somou US$ 20,7 bilhões, o equivalente a 1,37% do PIB (Produto Interno Bruto). 

A crise também prejudicou os investimentos diretos no Brasil, feitos por empresas e que estabelecem um relacionamento de médio e longo prazo das companhias com o país.
Historicamente, é uma importante fonte de recursos para o crescimento interno. No mês, foram R$ 1,6 bilhão líquidos de investimentos diretos. No mesmo período de 2019, foram US$ 6 bilhões.

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