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Três dicas de treino para dezembro

Fortaleza-Fortim, by Zonaalvo 2021 (Foto: Divulgação)

Quando chega dezembro, final de temporada, temos a necessidade de desacelerar. Desacelerar no intuito de descansar. É curioso perceber em quem já está no meio em que estamos basicamente o sentido o inverso da maioria dos praticantes de outras atividades físicas. Enquanto esta fica concentrada em aumentar ou iniciar seus treinamentos, os esportistas de longa distância podem (e devem) diminuir carga e quantidade de sessões de treino. Acredite, isso é mais difícil quanto parece soar.

Apesar de acontecer o descondicionamento aeróbio, os níveis de fadiga causados pelo treino de endurance estarão menores e é consequência você se sentir mais disposição para treinar. Como gosto de lembrar, essa disposição não dará resultado num treino maior ou mais forte, ainda que renda alguma satisfação pelo desafio em completar e aproveitar a "janela".

É comum acontecer lesões nesse período do ano. Por conta de vários fatores. Dentre eles, é a capacidade do nosso organismo em continuar os mesmos níveis de estresse que estávamos tendo nas últimas 10, 20, 30... 40 semanas! Outro fator consiste em estarmos ou bastante atarefados ou mais relaxados nos trabalhos profissionais e o cansaço ou a própria motivação estão em rotação diferente  do que estava até novembro.

Resolvi contextualizar 3 dicas para encarar os treinos de dezembro com um olhar diferente do que foi 2021.

1. COLOCAR A FORÇA EM DIA

Uma forma de ocupar o tempo dedicado aos treinamentos, é ir para a academia de musculação que funciona quase como um repelente para os fundistas. Com o condicionamento físico e mental em declínio, os treinos de força irão auxiliar em manter a musculatura pronta para ser acionada novamente no ano que se segue. É uma maneira de manter o foco sem precisar estar andando quilômetros e quilômetros.

Para quem não frequentou academia durante o ano, uma notícia boa é que exercícios de força podem dar resultados em sessões de 15 minutos. Então, mãos à obra!

Agora se a academia de musculação é verdadeiramente um empecilho, procure outra forma de treinamento de força. A cada dia surge novidades, mas conseguimos ver boa adesão de atletas de endurance às aulas de pilates, yoga e crossfit. Não custa nada experimentar por 4 semanas.

2. PRATICAR UMA NOVA MODALIDADE

Coloquei como "nova", mas você pode reativar uma antiga paixão como andar de skate ou dançar. Qualquer nova possibilidade para que seu corpo faça movimentos diversos, que não se utilizem tanto de estruturas e sistemas de energia que foi exposto ao longo do ano.

É legal evitar mais esportes de longa duração. No entanto, uma bela trilha não tarda para o fim de ano. Como a intensidade é baixa e muitas vezes o objetivo não se dá pela atividade física em si, é mais uma nova experiência que considero bem saudável de curtir a natureza ao nosso redor.

Uma mentalidade positiva é colocar uma atividade que você não se predisponha a uma performance ou desempenho. É preciso encarar como um lazer. Colocar uma ou duas vezes na semana está de bom tamanho.

3. REDUZIR OS TREINOS DEMASIADAMENTE LONGOS

Esta dica pode ser interpretada de diversas formas e preciso ter um cuidado especial ao recomendá-la. A ideia não é cortar radicalmente esse tipo de treino, atletas de endurance precisam estar constantemente se utilizando de uma atividade longa e com intensidade moderada para manterem a capacidade da sua prática.

Portanto, uma redução gradual da quilometragem pode ser colocada. Tente colocar sempre no dia habitual da atividade longa, comumente o final de semana. E a cada final de semana vá reduzindo de 5 a 15% do tempo/distância que você fez seu último longão ou prova em novembro.

A redução irá auxiliar na memória motora da atividade, numa menor redução do descondicionamento físico e, claro, não produzirá o estresse que a atividade exaustiva causa.

Então, é isso. Procurar auxílio nessas escolhas, bem como direcionar as atividades, é viável e os profissionais que acompanham seus treinos servirão como orientadores nesse processo.

Não poderia chegar ao fim da postagem sem mencionar um desafio bastante difundido entre quem pedala, que é o Festive500 promovido em conjunto por Strava e Rapha. O desafio consiste em pedalar somados 500 quilômetros entre os dias 24 e 31 de dezembro.

500 quilômetros em 8 dias não chega a ser um desafio físico descomunal para quem está habituado ao ciclismo. Como um treino estruturado baseado numa meta nesse período é logisticamente difícil, manter um ritmo ou colocar um treino intervalado não acrescenta tanta coisa à próxima temporada, o "Rapha500" é uma ótima ideia! Te mantém nos pedais sem tanta "pressão" ou necessidade para um desempenho. É completar 500 quilômetros, pode ser em oito dias, sete... fique a seu critério e ao seu tempo e comodidade.

Gostaria de desejar a todos um bom fim de ano. Também deixo meus sinceros votos para que o ano que vem traga conquistas, desafios e novas perspectivas para você e todos que me acompanham nesse espaço.

LEITURAS RECOMENDADAS PARA O FIM DE ANO

Saindo da rotina, colocarei leituras que ocuparam meu ano. Ao clicar no título, você estará em um site que tem a disponibilidade.

1. "Viagem ao Mundo em 80 dias", lançado a primeira vez em 1873, escrito por Júlio Verne (1828-1905)

Iniciei ontem a leitura, mas como toda aventura que emprega uma jornada do tipo me interessa, tenho lido de forma ávida!

O romance se passa no ano de 1872 quando Phileas Fogg, um excêntrico cavalheiro inglês com uma vida pontualíssima, é desafiado quase sem querer no Reform Club a completar uma viagem ao redor do mundo em 80 dias. Iniciando em Londres para terminar na mesma cidade exatamente 80 dias após a aposta ser efetuada, Phileas já conta com o seu preparo natural para tudo. É uma leitura difícil de se deixar antes do fim.

2. "As Extraordinárias Cores do Amanhã", lançado em 2018, escrito por Emily X. R. Pan

Leigh Chen Sanders é uma garota meio asiática, meio americana, e precisa lidar com um fato: no mesmo dia em que beijou Axel, seu melhor amigo (e paixão secreta há anos), sua mãe se suicidou. Além disso, Leigh tem plena certeza de que a mãe virou um pássaro.

Uma concepção que marcou neste livro é assumir a depressão como uma doença e não como resultado de um episódio ou um histórico. A viagem de Leigh à Taiwan em uma verdadeira jornada ao seu interior, suas raízes mais profundas.

3. "As Aventuras de Tom Sawyer", lançado a primeira vez em 1876, escrito por Mark Twain (1835-1910)

Acompanhar Tom Sawyer, um garoto órfão criado pela tia sem tantas "rédeas", pode tirar o fôlego de qualquer adulto. Me diverti demais com as situações bastante inusitadas com as quais ele se deixa entrar. Uma personalidade autêntica, mas que acabamos sendo levados às lembranças de nossas infâncias e seus dilemas.

Breno Leal Lima
@brenoleallima 
@br3no_blog

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