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Criador do projeto “Vida na Seca”, Rafael Studart usa biomimética em empresa de vestuário

Formado em Publicidade, Rafael Studart conversou com a Frisson sobre sua empresa e sua visão sobre a sustentabilidade no empresariado. Confira

Foto: Lino Vieira

Foi quando tinha 10 anos que o Rafael Studart reconheceu a realidade da seca no Ceará, em uma viagem com seus pais. Daí, a ideia de fazer alguma coisa, saindo da zona de conforto, ficou em sua cabeça e gerou frutos em 2012, quando lançou o projeto Vida na Seca, levando para o município de Milhã, a 300 km de Fortaleza, levando duas toneladas de alimentos e 16 mil litros de água a partir de uma campanha no Facebook.

Essa ideia de fazer a diferença seguiu na sua empresa, a VidaBR, que utiliza da biomimética e de novas tecnologias para lançar um vestuário que tenha sustentabilidade.

Formado em Publicidade, Rafael Studart conversou com a Frisson sobre sua empresa e sua visão sobre a sustentabilidade no empresariado. Confira: 

Frisson: Você iniciou com um projeto solidário em 2012, o Vida na Seca. Pode contar um pouco sobre como resolveu criar esse projeto?

Rafael Studart: Meu primeiro projeto onde eu participei, saí da minha zona de conforto, foi quando eu tinha 10 anos de idade. Meus pais me levaram para ajudar num projeto voltado para seca no interior do Ceará, e aquilo me impactou muito. Eu vi pessoas morrendo de sede, de fome, perdendo todas as plantações, o gado… Acabou que quando eu cheguei em casa, eu agradecia por tudo que eu tinha, a água que saia da minha torneira, o meu teto, a cama. Foi uma virada de chave naquele momento. Em 2012, estávamos passando pela pior seca dos últimos 50 anos, e uma amiga chegou com essa proposta de poder ajudar essas pessoas. E eu pensei: ‘por que não fazer algo que eu já trabalho?’. No caso, era a questão das camisetas, que eu fazia mais pro público de igrejas. Mas eu queria fazer algo que realmente trouxesse um conceito, uma conscientização também, não só na questão espiritual, mas também na questão de conscientizar as pessoas de forma sustentável. E aí que nasceu a ideia de fazer o projeto. No começo, foi bem desafiador porque as pessoas tinham aquele preconceito de que uma empresa não pode ser também social. Mas eu me posicionei desde o começo. Nós somos uma empresa, mas dentro da empresa, nós trabalhamos com as questões social e ambiental

Frisson: E do projeto até a construção da marca, qual foi a trajetória? 

Rafael Studart: Então, em 2012, nós lançamos a campanha Vida Nascer. E oficialmente foi quando começou a marca Realmente Vida BR. Porém, eu já trabalhava com essa questão de camisetas antes no Shalom. Eu passei dois anos estudando para a coleção fotossíntese, porque realmente deve ter muito estudo, muita inspiração e muito trabalho. Então eu passei dois anos pesquisando sobre tecnologia, inovação, efeito na luz solar, reciclagem pra pra chegar na coleção fotossíntese… A coleção fotossíntese é uma coleção toda feita de garrafa pet com algodão orgânico e tem o efeito especial na área solar isso que leva esse nome de coleção fotossíntese

Frisson: Pode falar um pouco dos produtos, como são construídos e de que forma são sustentáveis?

Rafael Studart: São camisetas feitas de garrafa PET. E pra cada camiseta, são retiradas duas garrafas pets no meio ambiente. E elas têm esse efeito especial na área solar. Também temos a etiqueta de papel semente, com a etiqueta com papel reciclado e que tem cimento dentro feito pelo projeto Resgate, um projeto que trabalha com dependentes químicos [na oficina de papel reciclado]. Inclusive, o interessante é que quando eu conheci o Projeto Resgate, eles estavam com somente dois dependentes químicos, com falta de pagamento de água, luz, aluguel. Com a chegada do papel semente, se inverteu totalmente a situação. Tanto é que hoje eles estão com de vinte e dois dependentes químicos, já deram tratamento pra mais de trezentos dependentes e aumentou ampliou o projeto. Isso foi uma resposta viva pra vida BR do nosso propósito.

Frisson: Você usa uma tecnologia que imita a fotossíntese. Pode falar um pouco mais dessa tecnologia e explicar outras tecnologias que vem usando? 

Rafael Studart: Essa tecnologia é inspirada na fotossíntese, e são pigmentos. Eu peguei esses pigmentos, que são aquelas que usam na nas lentes transitions, que quando vai para o sol, muda de cor. Eu peguei aquela mesma tecnologia e trouxe para as tintas.

Frisson: Você também relaciona sua marca com os ODS da ONU. Pode falar quais são os ODS que sua marca trabalha?

Rafael Studart: Nós levantamos a bandeira pra todas, mas as principais é vida na água, que tem tudo a ver com a gente, e vida terrestre. A gente está muito com essa questão, a gente bate muito na mesma tecla de proteger e de recuperar, de promover o uso sustentável dos ecossistemas na terra e nos oceanos.

Frisson: Há algum plano de expansão, campanha ou parceria da sua marca? 

Rafael Studart: Nós temos um plano de expansão. Inclusive, nós começamos de uma forma regional, mas sempre pensando mundialmente. Nós já fizemos algumas exportações pra locais, como Suíça, Inglaterra e Estados Unidos. Já estamos alinhados com a campanha junto com o Bruno Gagliasso e estamos com o objetivo de implantar mais de cem mil árvores. É um projeto que eu acredito que, no final do ano, já esteja em ação. Da marca, nós buscamos sempre parceiros alinhados com nossos valores.

Frisson: Você é formado em Publicidade, certo? Como a formação lhe ajudou na VidaBr?

Rafael Studart: A formação me ajudou a construir e fazer uma construção de marca que realmente faça sentido, não só pra mim mas pras outras pessoas. Eu tento construir tudo. 

Frisson: Como a sua marca ainda trabalha a sustentabilidade, para além do produto?

Rafael Studart: O Projeto Resgate realmente foi uma validação do nosso propósito. Acredito que a sustentabilidade está muito nessa, de você também fortalecer outros projetos, outras pessoas. Além disso, a gente trabalha muito com essa questão pessoal. A sua estabilidade não é só você estar ali defendendo a natureza, mas nós somos natureza também. A forma que você trata as outras pessoas, a forma que você trata as pessoas da sua família... Tudo isso daí está incluso. Está dentro da sustentabilidade.

Frisson: O ESG é uma prática que vem crescendo muito nas empresas. Há outras empresas que você acha que trabalham bem o lado ambiental? 

Rafael Studart: Em relação à ESG, tem duas marcas que eu me inspiro, que é a Osklen, que é muito ligada à tecnologia sustentável nos produtos; e a reserva, que tem esse lado social que cada camiseta equivale a cinco pratos de comida. Então são duas então duas empresas que eu tiro o meu chapéu e que respeito.

Frisson: Você é um empreendedor. Quais são as dificuldades de ser empreendedor no Ceará e no Brasil? 

Rafael Studart: Uma das maiores dificuldades, principalmente aqui no Brasil, é a questão dos impostos. São muitos impostos, principalmente alguns produtos que vêm de fora. E a segunda é que as pessoas ainda não são tão conscientes como em outros países, então o Brasil ainda está engatinhando nessa questão ambiental. Muitas pessoas gostam, mas ainda não pagam mais por isso, mas o cenário hoje em dia está muito melhor do que quando a gente começou, dez anos atrás. Em especial depois da pandemia, parece que foi ali uma virada de chave em muitas outras pessoas também, É um cenário que vem crescendo cada vez mais. Não como em outros países, mas no Brasil está crescendo sim.

 

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