Grupo Cidade
Treinador do Basquete Cearense, Dannyel Russo tem trajetória marcada pelo esporte

Atualmente, com uma série de campeonatos em seu portfólio, Dannyel vem trabalhando para aumentar a visibilidade do esporte no Ceará

Foto: Lino Vieira

Dannyel Russo tem uma trajetória longa com o basquete. Muito antes de assumiu o posto de treinador do Basquete Cearense, clube oficial da Liga Nacional do Basquete (LNB), há 10 anos, Russo já tinha passado por quadras como jogador. Mas sua primeira experiência com o esporte começou por um acaso, na escola, quando tinha 11 anos.

Atualmente, com uma série de campeonatos em seu portfólio, Dannyel vem trabalhando para aumentar a visibilidade do esporte no Ceará, oferecendo treinamentos nacionais e internacionais e continuando a traçar sua história a partir da bola de basquete. 

O profissional, que atualmente é assistente técnico da equipe principal e coordenador das categorias de base do Basquete Cearense e técnico do basquete masculino da Universidade de Fortaleza (Unifor), conversou com a Frisson sobre sua atuação no esporte e sua visão sobre a relação do basquete com o Ceará. Confira: 

Frisson: Você começou a jogar basquete ainda criança, certo? Pode relembrar como foi que descobriu a bola e seus primeiros sentimentos em relação ao esporte? 

Dannyel Russo: Eu comecei a jogar basquete com 11 anos. Meu esporte era o futsal, sempre joguei futebol desde muito novo. Certa vez, o meu treino de futsal acabou e o treino de basquete era na quadra ao lado. Passei rápido pela linha final da quadra e o técnico de basquete, Artur Benevides, me chamou para completar o coletivo e eu aceitei. Desde aquele dia, me apaixonei pelo basquete e nunca mais o deixei.

Frisson: Pode falar um pouco sobre sua experiência como jogador? Quais competições participou, títulos que conquistou…

Dannyel Russo: Joguei em alto nível. Participei de todos os Campeonatos Nacionais de Base (tive bronze na primeira divisão, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro). Joguei 10 Jogos Universitários Brasileiros (JUBS), onde ganhei duas medalhas de bronze, e conheci o Brasil de ponta a cabeça, desde cedo, através do basquete. 

Tive muitos títulos do Nordeste, em todas as categorias. Muito, muitos títulos estaduais em todas as categorias de base e na categoria adulta. Joguei em três posições: posição 3, lateral; posição 1, armador; posição 2, ala/armador. Essa última foi a posição em que mais atuei jogando.

Minha trajetória foi a melhor possível. Eu evolui muito rápido, sempre estive presente nas seleções de base do Ceará na minha categoria e também na categoria de cima. Sempre fui destaque  na base, cestinha, melhor defensor, jogador versátil, etc. Já integrava a equipe adulta do meu clube sendo infanto juvenil com 16 anos, ganhei muita experiência e respeito cedo e fui um dos melhores jogadores da minha geração sem dúvida alguma.

Frisson: O que te atraiu no basquete que fez com que fosse sua carreira até hoje? 

Dannyel Russo: Eu amo esse esporte, é o esporte com mais adrenalina de todos, quando o jogo está empatado faltando poucos segundos. É o único esporte do mundo que não acaba quando o árbitro apita o final do jogo, pra quem é do basquete, sabe exatamente o que estou falando.  Esporte altamente estratégico, tático, um verdadeiro” jogo de xadrez “, com regras complexas. Um jogo de muito contato físico, jogo para atletas com inteligência acima da média e isso tudo me atrai muito.

Frisson: Atualmente, o senhor faz parte da comissão técnica da equipe profissional do basquete cearense. Pode falar um pouco sobre a equipe e como o senhor tem atuado nela? 

Dannyel Russo: Eu estou no Basquete Cearense desde o início, o único profissional desde do início do projeto, desde a fundação. Atualmente somos o “FortalezaBasqueteCearense”, desde a temporada passada.

Em 2018/2019 tive a honra e a responsabilidade de dirigir o time como Head Coach, técnico principal e levei o time até as quartas de finais, passando no primeiro play off pelo atual campeão do NBB e bronze na liga das américas, o fortíssimo Paulistano. Hoje sou assistente técnico do time profissional do “Fortalezabasquetecearense”, responsável por treinos específicos, edições de vídeos, etc. Atualmente, sou coordenador das categorias de base e tenho uma missão super importante que é a de “Desenvolvimento de Jovens Prospectos”. Sou o responsável por fazer a transição dos atletas da base para o profissional e isso exige muito trabalho e muito cuidado.

Sou o técnico da Unifor e procuro o tempo todo incentivá-los aos estudos, temos bolsas de estudos e vários outros benefícios buscando sempre uma  “Formação Integral “ para esses jovens. Temos hoje na equipe principal nove atletas da base e isso me enche de orgulho, ver as “crias” tendo essa oportunidade de “subir” para categoria profissional me deixa muito contente, eles são como se fossem “filhos” pra mim!

Nossa equipe para essa temporada continua bem competitiva, estamos com 8 atletas adultos experientes, esperando mais uma contratação e temos esses garotos colocando uma energia a mais na equipe.

Frisson: O senhor tem realizado umas “clínicas” recentemente. Pode esclarecer do que se tratam essas clínicas? 

Dannyel Russo: Clínicas são encontros de técnicos e atletas onde existe um palestrante/coach ou uma equipe ministrando aulas, treinamentos de basquete com determinados temas. Geralmente são realizados em dois dias, dois períodos de manhã e dois períodos pela tarde. 

Esse último mês de Julho ministrei uma clínica em Foz do Iguaçu/Paraná, duas em Cidade do Leste/Paraguai e outras duas em Assunção/Paraguai. Uma clínica foi cancelada e remarcada para dezembro em Santa Cruz de Tenerife/Espanha.

Frisson: Outra modalidade dessas clínicas são as voltadas para basqueteiros surfistas, certo? Pode falar sobre as especificidades dessa modalidade? 

Dannyel Russo: Eu fiquei sabendo que existia esse grupo de surfistas brasileiros já há um tempo porque meus sobrinhos moram no Icaraí. É um grupo de atletas de um projeto social chamado “Surfistas do Basquete”, onde os atletas são quase todos surfistas. Aí, um tempo atrás, eu decidi entrar em contato com os líderes do projeto e marquei que quando tivesse um final de semana mais tranquilo, eu fosse lá dar essa clínica. Em agosto, nós nos organizamos e fomos lá desenvolver esse trabalho. Ficamos lá umas três horas desenvolvendo, eles me mostrando as técnicas individuais, de ataque, defesa, habilidades, coordenação motora… Foi muito bacana ver essa nova “tribo” em ação e fiquei de voltar em outro momento.

Frisson: O basquete não é um esporte tradicional no Brasil. Pode falar um pouco sobre como é o cenário nacional do esporte? 

Dannyel Russo: O Brasil já foi bicampeão mundial no basquete masculino 1959 e 1963 e no feminino foi campeão mundial em 1994. Desde então não tivemos colocações tão relevantes a nível mundial.

Faltam muitas coisas para chegarmos a uma potência no basquete mundial. Mais praticantes da modalidade, mais cuidado com o mini basquete, criação de uma Escola Nacional de Treinadores, mais verba para investimento, uma melhor política esportiva estadual e nacional, mais intercâmbios nacionais e internacionais, mais entidades participando de competições, mais valorização do técnico de base e do professor de Educação Física, pois é na escola que tudo começa.

Frisson: E quando falamos de Ceará. Como é o cenário? 

Dannyel Russo: O Ceará tem uma tradição muito boa nas categorias de base a nível de competições nordeste e tb nacional. Estive no comando das seleções estaduais do Ceará por vários anos e conseguimos resultados incríveis: 25 títulos nordestinos, campeão brasileiro segunda divisão, bronze na primeira divisão. A nível escolar também sempre representamos muito bem nosso Estado. Trabalho no colégio Batista Santos Dumont, colégio de grande tradição na Educação e nos Esportes. 

Depois da chegada do Basquete Cearense no Ceará há 10 anos, vimos um aumento no número de praticantes do basquetebol, tanto masculino quanto feminino, os nossos jogos, antes da pandemia, tinha um público fiel de média de 2.500 torcedores, chegamos a colocar mais de 9.000 torcedores em duas vezes nos ginásios do Paulo Sarasate e CFO Centro Olímpico de Fortaleza

Frisson: Qual o caminho para conseguir popularizar o basquete no Ceará?

Dannyel Russo: Temos que implantar escolinhas em todos os bairros e municípios de Fortaleza e cuidar de verdade desses núcleos e multiplicá-los sempre que pudermos. Prefeitura de Fortaleza, Secretaria de Esportes e Governo do Estado, todos juntos com um política forte para o esporte em geral, capacitando profissionais, massificando o esporte com ações que tenham benefícios diretos para as crianças praticarem esportes.

 

COMENTÁRIOS