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Arquiteta e ex-secretária, Bruna Diógenes acredita em aconchego e afeição; veja entrevista

Ela conversou um pouco com a Frisson sobre sua trajetória na Arquitetura, que incluí influências desde a sua infância, suas decisões em relação à arquitetura e suas inspirações no design

Foto: Divulgação

Ex-secretária da Infraestrutura de Aquiraz, a arquiteta Bruna Diógenes tem uma trajetória de histórias e projetos. Com a ideia de que cada novo trabalho é um sonho a ser construído, Bruna tem como foco o diálogo com o cliente, a sensação de aconchego e a afeição como um todo. Graduada na Unifor desde 2010, Bruna está com uma especialização em iluminação em andamento e segue aplicando diversos conceitos de arte. Ela conversou um pouco com a Frisson sobre sua trajetória na Arquitetura, que incluí influências desde a sua infância, suas decisões em relação à arquitetura e suas inspirações no design. Confira:  

Frisson: Qual motivo levou pra seguir a  profissão de arquitetura?
Bruna Diógenes:
Cresci em uma fazenda cuja casa sede foi construída em torno de 1850, em Maranguape. Meus avós, quando adquiram a propriedade, fizeram questão de manter a estrutura original. Um casarão com porão e sótão. A construção, apesar de ter sido idealizada em uma época de Brasil Colônia - onde sabíamos que o porão houvera abrigado escravos no passado - me levava a ter um misto de sentimentos: respeito à memória do sofrimento e um certo fascínio por poder viver naquele ambiente histórico. Com certeza pertencer a um ambiente tão rico historicamente influenciou minha decisão de seguir arquitetura. 

Frisson: Sua família te influenciou na escolha da sua carreira?
Bruna Diógenes:
 Fui criada de uma maneira muito livre em relação às minhas escolhas, mas vejo hoje que minha família me influenciou no sentido de valorizar minhas opiniões. Sempre fui questionada nas decisões e impelida a participar ativamente, mesmo sendo a caçula de quatro mulheres. 

Frisson: Em geral, o sucesso de uma obra depende de muitos fatores que se complementam. Quais são os fatores-chave para um ambiente?
Bruna Diógenes: 
A combinação perfeita é uma boa comunicação entre arquiteto e cliente. Quando consigo captar a essência do desejo do meu cliente, sinto que o projeto flui naturalmente. O dono do projeto não sou eu, apenas desenho o sonho através do que compreendi. Quando vejo um projeto finalizado e o cliente satisfeito, sinto que cumpri meu papel. 

Frisson: Que outras áreas da arquitetura você gostaria também de fazer e por quê?
Bruna Diógenes: 
A área de paisagismo me fascina, cresci em meio a uma natureza exuberante. 

Frisson: A arquitetura pode ser considerada como uma arte? Por que?
Bruna Diógenes: 
Se considerarmos arte tudo aquilo que emociona, com certeza a arquitetura está classificada no ramo das artes. Sou uma defensora desta ideia. 

Frisson: Qual o processo para se criar e desenvolver um ambiente? Qual a parte crítica desse processo?
Bruna Diógenes: 
Inicialmente, há a comunicação, como mencionei anteriormente. Entendo o que o cliente quer, desenvolvo um projeto, apresento e vamos aparando as arestas. 

Frisson: Que tipo de projetos vocês realizam? Pode falar um pouco do portfólio da empresa?
Bruna Diógenes: 
Atuo no mercado há 11 anos. Tive a oportunidade de desenvolver diversos projetos, residenciais, comerciais e corporativos. 

Frisson: Como está sendo lidar com a pandemia do novo coronavírus? Quais foram os impactos? 
Bruna Diógenes: 
O homem é um ser adaptável. Creio que desenvolvemos maneiras de nos adaptar e que a tecnologia só veio para melhorar. É possível fazer videoconferência seguramente com o cliente e na parte de acompanhamento da obra, creio que com os devidos cuidados podemos seguir em frente, sempre com segurança. 

Frisson: É mais fácil criar ou reformar? 
Bruna Diógenes: 
Criar um projeto sem amarras é, sem dúvidas, menos complexo, porém, o encanto do antes e depois em uma reforma ou um "retrofit" [processo de melhoria de instalações] é mágico. 

Frisson: Você sempre pesquisa novas possibilidades de inovação, mas lares e escritórios necessariamente precisam seguir um determinado protocolo. Até aonde é permitido inovar? O que se pode e não se pode fazer?
Bruna Diógenes: 
Na arquitetura e na ambientação, não há limites para a criatividade, desde que exista o conforto e a funcionalidade. Um não pode andar sem o outro. 

Frisson: Você já fez obras de grandes nomes da sociedade, que não precisa citar. Fale alguma coisa interessante, extremamente desafiadora ou diferente que tenha acontecido em algumas delas.
Bruna Diógenes: 
Tive um cliente idoso que se recusava em contratar arquiteto e dizia para a esposa que não queria nem ver o projeto. A esposa me contratou sem que ele soubesse e no dia da apresentação fui disposta a mostrar meu trabalho e as vantagens de se ter um ambiente bem planejado. Foi então que pedi que me desse um voto de confiança. Ele gostou tanto do resultado que fiz a ambientação do apartamento, idealizei a casa de praia e estou fazendo o escritório. 

Frisson: Seu estilo é mais moderno, contemporâneo, étnico ou clássico?
Bruna Diógenes: 
Outro dia me fiz esse questionamento. Atualmente estou numa tendência contemporânea com pinceladas de clássico. É curioso, mas maturidade, como em qualquer profissão, faz muito bem ao arquiteto. 

Frisson: Cada ambiente é criado e desenvolvido com um objetivo e para um cliente específico. Quais são as principais características do seu trabalho?
Bruna Diógenes: 
Procuro me manter sempre atenta ao momento. No mundo de hoje, nossas escolhas conscientes devem estar presentes em todas as áreas. Materiais que não agridam o planeta são sempre escolhas certas. Na ambientação, procuro produtos que dialoguem com o respeito à natureza, bem como vejo a questão filosófica dos meus fornecedores como um todo. 

Frisson: Qual a experiência que você deseja transmitir através dos ambientes que cria?
Bruna Diógenes: 
Ambiente bom é aquele onde você se sente bem. Deve mexer lá no seu inconsciente e trazer o aconchego da casa de avó. Da casa de quem se quer bem. Deve remeter quem está lá a uma experiência positiva, única. E isso é possível até em um ambiente corporativo. 

Frisson: Você tem alguma marca registaria que quando cliente olha, já sabe que aquele projeto é seu? 
Bruna Diógenes: 
Cada projeto é um projeto, procuro criar personalizando de acordo com o perfil de cada cliente. 

Frisson : Quais tipo de obra os clientes mais investem?
Bruna Diógenes: 
Residenciais, sem dúvida.

Frisson: Na sua opinião, o que não pode faltar em uma obra?
Bruna Diógenes: 
Bom gosto, aconchego e cliente satisfeito. 

Frisson: É possível realizar uma obra ou reforma com bom gosto, baixo custo e criatividade?
Bruna Diógenes: 
Sim, é possível. Por isso a importância do diálogo, do olho-no-olho. O projeto tem que ter verdade. 

Frisson: Qual elemento mais inusitado que um cliente fez questão de ter em sua obra?
Bruna Diógenes: 
Na verdade foi inusitado a princípio. Tivemos que utilizar um berço construído em madeira datado de 1917. Mandamos para uma vistoria para ver se era seguro manter um bebê ali. Passou até em raio x para madeira. A estrutura estava intacta e utilizamos na obra. O projeto ficou absolutamente lindo. 

Frisson: Quem é Bruna Diógenes? Diga um sonho, um defeito, uma ambição e uma qualidade. 
Bruna Diógenes: 
Mãe, filha, esposa, irmã, arquiteta, amiga. Dependendo do momento posso mudar a ordem de prioridade. Adapto-me perfeitamente.

Um sonho...poder ter tranquilidade na cidade que moro é tanto amo. 

Um defeito... minha resposta vai cair em lugar comum: sou perfeccionista 

Uma ambição...realizar as viagens que gostaria. São muitas. 

Uma qualidade... sou verdadeira. 

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