Atuando na ginecologia regenerativa, Natalie Tavares acredita na saúde como um todo
Natalie conversou com a Frisson sobre sua trajetória, suas especialidades e assuntos relacionados à saúde da mulher

Foto: Lino Vieira
Atuar na ginecologia, além do conhecimento da medicina, envolve respeito e empatia. Ainda, mais do que atuar na própria especialidade, o profissional deve ter noção de outros aspectos da saúde, que podem envolver uma multidisciplinaridade de conhecimentos. A ginecologista Natalie Tavares define bem quando diz que, para ser saudável, “é preciso ter o bem-estar físico, mental e social”.
Ginecologista cearense e atuando na ginecologia regenerativa, Natalie destaca que a medicina sempre foi sua primeira opção na profissão. Já a ideia de fazer ginecologia surgiu só na faculdade, mas veio como um objetivo tão certeiro quanto sua vocação na área. Hoje, ela atende meninas e mulheres, enfatizando a saúde como um todo e se assegurando de atender as necessidades da paciente.
Natalie conversou com a Frisson sobre sua trajetória, suas especialidades e assuntos relacionados à saúde da mulher como um todo. Confira a entrevista:
Frisson: Como surgiu o desejo pela medicina? E quando e por que você escolheu a ginecologia?
Natalie Tavares: Sempre tive um encantamento pela Medicina. Na realidade, não lembro de ter pensado em seguir outra profissão. Gosto de pessoas, das suas histórias, de trocar experiências e aprender com elas. Durante a faculdade, quando tive contato com a Ginecologia, não tive mais dúvidas da especialidade que eu queria. A saúde da mulher nos desafia todos os dias a buscar cada vez mais conhecimento, pois cada mulher é única e com necessidades diferentes.
Frisson: Quais são suas especialidades na ginecologia? Pode falar também de sua formação acadêmica, cursos e especializações?
Natalie Tavares: Atuo na ginecologia regenerativa funcional e estética e na ginecologia geral com foco em contracepção e menopausa. Conclui Medicina no ano de 2010 pela Escola Bahiana de Medicina. Fiz Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola de Saúde Pública do Ceará. Sou membro da International Menopause Society com treinamento IMPART / Climatério e Menopausa. Fiz diversos cursos em ginecologia regenerativa, dentre eles: Laser e outras Energias em Ginecologia, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e Workshop de Laser Íntimo, pela Academia Brasileira de Ginecologia Regenerativa (ABGREF).
Frisson: A ginecologia vem se aprimorando, com novos dius, novos tratamentos… Quais necessidades e demandas você acha que a medicina está tentando atender?
Natalie Tavares: Ao longo dos anos, as mulheres têm conquistado autonomia para fazer escolhas e definir suas prioridades. Aliado a isso, o aumento da expectativa de vida e o acesso à informação de qualidade faz com que essas mulheres busquem viver muitos anos e com qualidade de vida. Isso tem aumentado a demanda por uma medicina de excelência: individualizada, humanizada e com tecnologia de ponta.
Frisson: Um tema que entrou em discussão esse ano foi a endometriose, uma doença que acomete a mulher, mas que nem sempre é rapidamente diagnosticada. Pode explicar como a doença afeta a mulher e como garantir um diagnóstico rápido?
Natalie Tavares: A Endometriose é uma doença que pode afetar a qualidade de vida da mulher de várias formas. O sintoma mais comum é cólica menstrual intensa e incapacitante que acaba interferindo na vida social e profissional da mulher. Além disso, a Endometriose pode levar a infertilidade e, por se tratar de uma doença de caráter inflamatório, tem impacto na disposição física e mental. Como se trata de uma doença progressiva, o diagnóstico tardio pode agravar mais ainda o quadro. Daí a importância de conhecer o próprio corpo, observar os sinais, buscar informação de qualidade e realizar consulta de rotina com o Ginecologista para garantir um diagnóstico precoce.
Frisson: Você trabalha com ginecologia regenerativa. Pode explicar o que exatamente é essa linha?
Natalie Tavares: Conforme a fase de vida da mulher é comum que o corpo passe por uma série de alterações, sejam estéticas ou funcionais. E na região íntima, não é diferente. A ginecologia regenerativa funcional e estética é uma área da ginecologia que tem como objetivo regenerar o funcionamento e a anatomia da região genital feminina através de diversas técnicas e procedimentos. De uma forma prática, poderia citar como exemplo, o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa e de alguns casos de incontinência urinária através do laser íntimo.
Quando falamos dessa área, muitas pessoas têm a ideia equivocada de que se trata somente de estética da região íntima. Mas, na realidade, tratamos doenças que interferem na qualidade de vida da mulher através da tecnologia. E para as pacientes que a questão estética está interferindo na autoconfiança e na sua qualidade de vida, temos alguns procedimentos que podem ajudá-las.
Frisson: A ginecologia regenerativa também se relaciona ao psicológico da mulher, certo? Como o psicológico da mulher se relaciona com a ginecologia e vice e versa?
Natalie Tavares: A saúde da mulher não se resume somente a cuidados ginecológicos. Essa visão é ultrapassada e precisa ser deixada no passado. Para ser saudável é preciso ter o bem-estar físico, mental e social. E a ginecologia regenerativa é sobre devolver a funcionalidade, autoestima, confiança e principalmente proporcionar qualidade de vida para as mulheres.
Frisson: Quando pensando em estética da região íntima, o que muitas vezes tem a ver com inseguranças e com o psicológico. Como você trabalha para garantir que haja um equilíbrio entre um procedimento e uma necessidade real da paciente?
Natalie Tavares: Quando há uma alteração funcional, o tratamento tem uma indicação médica. Entretanto, quando falamos em estética, a demanda vem da paciente e a indicação nunca será médica. É preciso deixar claro para a paciente que não existe um padrão estético da vulva perfeita. Busco alinhar expectativas da paciente com possíveis resultados e quando há risco do procedimento causar uma alteração funcional do órgão, contraindico o mesmo.
Frisson: O estudo da ginecologia também é uma forma de empoderamento da mulher. Como você consegue ajudar meninas e mulheres para além da saúde física?
Natalie Tavares: Um dos papéis do Ginecologista é trazer informação de qualidade para que a mulher tenha autonomia e capacidade de fazer suas próprias escolhas e dessa forma ser atuante no processo de decisão sobre sua própria saúde e qualidade de vida. Então, nossa principal forma de empoderamento é através da informação. Mas, infelizmente, ainda existe muito tabu e pudor para falar sobre saúde íntima até pelas próprias mulheres. E a reflexão que fica é: até que ponto estamos deixando o pudor e os tabus nos impedir de buscar nossa saúde íntima e a qualidade de vida que tanto almejamos?
Frisson: Seu consultório está em reforma, certo? Quais são as expectativas para esse novo lugar? E que sensação você gostaria de passar para suas pacientes?
Natalie Tavares: Meu consultório fica na Clínica Rêver e estamos em reforma para oferecer um local mais aconchegante e acolhedor aos pacientes. É um espaço de saúde que conta com diversos profissionais para o acompanhamento de toda a família em todas as fases da vida. Temos pensado em muitas ações para promover não só a saúde, mas uma experiência diferenciada aos nossos pacientes. Queremos oferecer uma medicina de excelência, acolhedora, individualizada e sempre baseada na ética.
Frisson: E fora da medicina, quem é a Natalie? Quais são seus objetivos para 2023, tanto no profissional quanto na vida pessoal?
Natalie Tavares: Sou uma mulher cheia de sonhos, de fé e que ama a família incondicionalmente. Muito do que já realizei devo à minha base familiar. Amo conhecer lugares novos, comer bem e estar com meus amigos. Tenho momentos de vulnerabilidade, como todas as mulheres, mas sempre lembro de tudo que já conquistei com minha fé, força e determinação para poder seguir em frente.
Para 2023 pretendo continuar buscando o que há de melhor na saúde da mulher para oferecer às minhas pacientes. Minha maior realização é quando vejo o resultado do meu trabalho impactando positivamente na vida das minhas pacientes. Fico tão feliz quanto elas e com a sensação de estar cumprindo o meu papel como médica e mulher.
















