Desembargador acata pedido de habeas corpus e Belo deixa prisão
O pedido foi acatado na madrugada
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O desembargador Milton Fernandes de Souza acatou um pedido de habeas corpus para a soltura do cantor Belo, que deixou a prisão na tarde desta quinta-feira, 18. Marcelo Pires Vieira foi preso pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Polícia Civil, nesta quarta-feira, 17, por show em escola no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, durante a pandemia do novo coronavírus.
Em nota publicada nas redes sociais do cantor, a família e a equipe de Belo indicam estar surpresos com o pedido de prisão preventiva, visto que o show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold. A equipe ainda indicou que comprovou a situação às autoridades por meio de notas fiscais e outros documentos.
A equipe pediu desculpas pela aglomeração, mas questionou o porquê da desigualdade no tratamento de festas e shows clandestinos.
“Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade”.
O evento
O show aconteceu na Escola Estadual do Parque União na última sexta, 12, e não teve a autorização da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A Polícia também investiga invasão à escola.
Além de Belo, também foram presos preventivamente Célio Caetano e Henrique Marques, sócios da produtora Série Gold, e Jorge Luiz Moura Barbosa, que é apontado como chefe do tráfico no Parque União.
Segundo o site Uol, a polícia também apreendeu, na casa de Belo, duas armas, munição, dinheiro em espécie (R$ 40 mil e 3.500 euros) e um computador, todos guardados em um cofre. As armas estão no nome do cantor, que tem autorização para possuí-las.
Veja a nota completa do cantor, na íntegra:
“O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.
O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.
Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração. O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.
Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade. Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carn
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