Dupla de mulheres recebe Nobel de Química por pesquisa em edição de genoma
Ferramenta de edição de genoma, o Crispr permite que cientistas modifiquem os genomas com maior precisão, eficiência e flexibilidade

Ilustração: Niklas Elmehed
Pela primeira vez na história do Prêmio Nobel, duas mulheres, juntas, receberam o Nobel de Química. O prêmio de 2020, entregue pela Academia Real das Ciências da Suécia, foi atribuído à francesa Emmanuelle Charpentier, 56, e à estadunidense Jennifer Doudna, 51, “pelo desenvolvimento de um método de divisão de genoma”, o chamado Crispr. O prêmio, além do título, é de 10 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,3 milhões.
Antes da dupla, somente cinco mulheres haviam ganhado o Nobel em Química: Marie Curie (1911), Irène Joliot-Curie (1935), Dorothy Crowfoot Hodgkin (1964), Ada E. Yonath (2009) e Frances H. Arnold (2018).
Emmanuelle Charpentier é microbiologista, imunologista, e diretora do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, em Berlim. Já Jennifer Doudna é bióloga molecular e atualmente é professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Ambas se juntam à Andrea Ghez, primeira mulher premiada neste ano, junto a dois cientistas, no Nobel de Física por sua pesquisa em buracos negros.
Ver essa foto no InstagramUma publicação compartilhada por Nobel Prize (@nobelprize_org) em 7 de Out, 2020 às 2:52 PDT
Ferramenta de edição de genoma, o Crispr permite que cientistas modifiquem os genomas com maior precisão, eficiência e flexibilidade, possibilitando a edição de DNA de microorganismos, plantas e animais. A descoberta aconteceu a partir do estudo da “memória do DNA” - o chamado Crispr - de bactérias infectadas por vírus, que fez com que fosse mais fácil compreender sua estrutura, simplificando o processo de edição de genomas.
A descoberta foi feita em 2012 e, segundo a instituição do Prêmio Nobel, "contribuiu para muitas descobertas importantes na pesquisa básica, possibilitando que os pesquisadores de plantas conseguissem desenvolver safras que resistem a mofo, pragas e seca. Na medicina, ensaios clínicos de novas terapias contra o câncer estão em andamento e o sonho de ser capaz de curar doenças hereditárias está prestes a se tornar realidade".
“Espero que seja uma mensagem positiva para as meninas jovens que queriam seguir o caminho da ciência. Mulheres na ciência podem ter um impacto com a pesquisa na qual trabalham. Mas não só para mulheres. Vemos um desinteresse em seguir esse caminho, o que é preocupante", afirmou Charpentier. A informação é da Folha de S. Paulo.
Nobel 2020
A premiação dos Prêmio Nobel deste ano começaram na última segunda-feira, 5, e seguem até a próxima segunda-feira, 12. Nesta quinta-feira, 8, se espera o resultado do Nobel de Literatura. Já na sexta-feira, 9, o Nobel da Paz deve ser entregue para a instituição ou nome ganhador. Por último, na segunda-feira, 12, o nome do vencedor do Nobel de Economia deve ser revelado.
Na segunda, 5, os cientistas Harvey Alter, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), Michael Houghton, da Universidade de Alberta, e Charles Rice, da Universidade Rockefeller foram contemplado com o Nobel de Medicina ou Fisiologia por suas contribuições na descoberta do vírus da hepatite C.
Com 119 anos de história, o Prêmio Nobel é noemado em homenagem ao cientista sueco Alfred Nobel e premia anualmente contribuições para a humanidade em Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura, Paz e Ciências Econômicas.
















