Jovem com Síndrome de Down ganha festa ao receber alta após ser curado de Covid-19
Alan Boggiss ganhou uma festa daquelas ao receber alta do Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após ficar três semanas internado com Covid-19. Ele fic

Alan Boggiss ganhou uma festa daquelas ao receber alta do Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após ficar três semanas internado com Covid-19. Ele ficou entubado por 11 dias e celebra, no próximo dia 8, 28 anos. “Estou me sentindo aliviado. Estava com saudade da família, amigos. Quero fazer aniversário. Foi muito mal (a experiência da Covid-19), eu lembro que eu estava entubado, em tudo, no nariz, na boca. Eu ficava sem ar. Eu ficava com aquele acesso no dedo, o oxímetro. E sozinho, no quarto, ficava com muito medo de tomar mais remédio”, assumiu.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro apontam que foram diagnosticados 48 casos do novo coronavírus em pessoas com Síndrome de Down – com 23 mortes. Antes de ser internado, Alan sentiu febre, teve cansaço, dor nas pernas e pneumonia. O exame de raio-X apresentou comprometimento de 50% dos pulmões. “A Síndrome de Down coloca a pessoa no grupo de risco por conta de algumas doenças associadas à síndrome. Muitos têm cardiopatias, muitos são operados. E alguns costumam ter infecção, que é o caso do Alan, que, nessa época do ano, costuma a ter infecção pulmonar, pneumonia. Ele já foi internado outras vezes. É comum isso acontecer. Não temos visto com frequência pessoas que têm Síndrome de Down com Covid-19, mas ele se enquadra no grupo de risco por conta da sensibilidade a infecções no geral. Ele é uma pessoa muito doce, mas, por ter Síndrome de Down, ele tem um grau de agitação que sempre nos deixa um pouco preocupados. Mandamos uns vídeos para ele, explicando como seria. Ele tem uma questão de que, se não tiver um referencial familiar, da mãe, da tia ou do irmão, ele acaba ficando agressivo. Não com a pessoa que está o tratando, mas por não compreender o que está acontecendo. E, fisicamente falando, ele é forte, então, ficamos preocupado em ele acordar no CTI, não ver nenhum conhecido, se agitar e acabar se machucando ou machucando alguém”, explicou George Patrick Baggiss, neurocirurgião especialista em dor (e primo de Alan).
A preocupação tomou conta da família. “Ele foi o primeiro caso de pessoa com Síndrome de Down que se recuperou. A Federação me pediu para divulgar porque todos os casos que estão recebendo são muito sem sucesso. Meu sobrinho é médico e, desde o primeiro dia da febre, ele foi acompanhando. Ele me orientou por telefone sobre o que ia ocorrer: eventuais pioras, queda na saturação, o nervosismo do Alan. Eu já tinha uma noção de tudo que ia acontecer. Fácil não foi nada, mas foi reconfortante. Ele ficou 11 dias entubado. Quando cheguei, tinham acabado de tirar o tubo. Logo depois, ele foi acordando, começou a perguntar ‘onde está a minha mãe’, e eu já estava lá. Então, na memória dele, não tem esse período de tempo sem mim. Por isso, eu tinha que ficar lá, só eu conseguia entendê-lo. Não em relação à fala, porque ele fala muito bem, mas só eu consigo entender o que ele quer dizer. Quando ele falava que estava com dor e eu perguntava aonde, ele falava que era na cabeça e apontava para o nariz. Era congestão. Não era uma dor na cabeça, o oxigênio dava pressão em cima da sobrancelha”, disse a mãe de Alan, Violeta.
A recuperação do jovem chamou atenção. “Do ponto de vista clínico, o caso dele foi um sucesso. Considerando isso tudo (o quadro anterior) em um paciente com Síndrome de Down, sabemos que é uma vitória grande. Especialmente o Alan, que é um jovem com muita vida. Tinha sempre uma vontade de viver muito grande, falando que queria voltar a cantar com os amigos dele, com quem se encontrava virtualmente durante a pandemia. Ele ficou muito fragilizado quando soube que ia ser entubado e acompanhou tudo. A todo momento, ele era informado de tudo, a família foi muito presente”, explicou Rosana Farina, uma das médicas da unidade semi-intensiva. A foto e as entrevistas realizadas na notícia são do jornal O Globo.
















