Socorro Sousa: a arte de produzir perucas em Fortaleza
Em menos de uma década, Socorro Sousa conseguiu inserir e consagrar seu nome em Fortaleza quando o assunto é a produção de perucas. Insatisfeita com sua carreira de empresária, ela
Em menos de uma década, Socorro Sousa conseguiu inserir e consagrar seu nome em Fortaleza quando o assunto é a produção de perucas. Insatisfeita com sua carreira de empresária, ela descobriu a paixão profissional na arte de elaborar cabelos para mulheres e homens. Cabelos lisos ou encaracolados, compridos ou curtos, masculinos ou femininos, móveis ou temporariamente fixos, por questão de saúde ou apenas exigência de beleza. Com o instinto desejando a mudança, Socorro foi até São Paulo se especializar com quem mais entende do negócio. E trouxe de lá uma técnica única, que vem a ser um dos motivos do sucesso de seu nome no ramo! A seguir, conheça um pouco mais da entrevistada da Frisson!
Como se deu o início de seu trabalho com gorros e perucas?
Vi minha sogra fazendo perucas e pedi para ela me ensinar, por curiosidade. Gostei logo de cara! Em pouco tempo, aprendi. Entrei rápido no ramo. Aprendi a costurar com minha mãe, mas não gostava muito.
Antes de atuar nessa área, o que a senhora fazia da vida? Era feliz?
Atuei como empresária antes de ser peruqueira, pois tive uma loja na Avenida Monsenhor Tabosa. Fui me realizar mesmo fazendo perucas! Gosto muito de ver as pessoas felizes depois de adquirir uma cabeleira.
Fala um pouco sobre o trabalho social de doação de perucas para mulheres em tratamento contra o câncer...
Tenho um trabalho de doação de perucas para pessoas carentes. Recebo cabelos de pessoas que querem doar e faço as perucas. O recebimento desses cabelos ainda é muito pouco, pois as pessoas querem mesmo é vender. Mas, com os que recebo, doo perucas para essas pessoas que realmente não podem comprar uma peruca.
Qual o caso mais importante e emocionante que a senhora recorda em relação a isso?
O caso que mais me emocionou foi de uma moça muito pobre com lúpus que entrou na loja e olhou para as perucas com muito desejo, perguntando preço e qual era a mais barata. Eu mostrei todas, mas ela falou que não tinha condições. Então, bateu a vontade de dar a peruca para ela. Comecei, então, a fazer perguntas sobre a situação financeira dela. Tanto ela e o marido eram doentes e viviam com o salário mínimo que era benefício que recebiam, mas gastavam muito com remédios. Tudo que ela me contou me comoveu, por isso resolvi logo no ato e coloquei a peruca na cabeça dela. Eu disse que era dela. E ela ficou muito feliz!
Qual o público que mais procura seu trabalho?
Pessoas com Alopécia, que é a perda de cabelo do couro cabeludo por motivos genéticos ou adquiridos, e também pacientes em quimioterapia.
O público masculino também está procurando seus serviços? De que forma?
Sim. De uns três anos para cá, a peruca masculina tem sido muito procurada. Os homens acham que a calvície é sinal de estar mais velho e isso, de certa forma, incomoda mesmo.
Como a senhora lida com a concorrência em Fortaleza?
A concorrência hoje está bem acirrada. Há seis anos, poucas pessoas faziam perucas aqui em Fortaleza. Hoje, tem bem mais. Mas isso não me incomoda.
Podemos, então, presumir que a senhora incomodou bastante ao entrar no mercado e quebrar, digamos, o “monopólio” da área...
Exato! Quando comecei, tive problemas com egoísmo de pessoas que achavam que só elas poderiam fazer perucas, mas isso não me intimidou. Decidi fazer meu trabalho, dar o melhor de mim e colocar amor em meu ofício. Fui perseguida por essas pessoas, que tentavam fazer tudo para me atrapalhar. Mas fui a São Paulo fazer um curso de aperfeiçoamento e estou feliz fazendo o que gosto. Oro a Deus para proteger essas pessoas.
O seu negócio sentiu os efeitos da crise econômica brasileira? Se sim, de que forma?
Acho que a crise mexeu com todo mundo, em todas as áreas. No meu caso, interferiu no preço dos cabelos.
De que forma a senhora cuida do corpo e da mente?
Do corpo, eu estou meio relaxada e precisando de uns ajustes. Agora, da mente, estou cada vez melhor, pois estou focada em fazer a vontade de Deus.
Quando não está trabalhando, o que mais gosta de fazer?
Gosto muito de viajar para admirar as obras de nosso Criador.
Quais as principais dificuldades enfrentadas desde o início de seu negócio?
Capital de giro!
Quais as principais lições que tirou ao longo da vida profissional?
O cliente sempre tem razão! A paciência é essencial para entender o cliente, sempre deixá-lo à vontade.
Para a senhora, o que define uma peruca como perfeita???
É aquela que deixa o cliente mais bonito!
Para finalizar, quais seus planejamentos para a vida pessoal e profissional para os próximos anos?
Ter mais tempo para Deus e para o próximo!
Confira as fotos
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