Cláudio Quinderé
Profissional arrojado, visionário e consciente do seu papel como artista...
49 anos de idade. Duas décadas de entrega completa à arte. Seu nome? Claudio Quinderé, profissional arrojado, visionário e consciente do seu papel como artista, enaltecendo, inclusive, a importância da sensibilidade em seu cotidiano. “Sem sensibilidade não existe arte, nem para quem faz nem para quem se depara com ela”, afirmou em entrevista leve e descontraída à Coluna Frisson.
Em uma conversa franca e suave com a nossa equipe, o profissional falou da carreira, analisou o mercado local em comparação ao nacional, declarou ser ligado à família e assumiu o orgulho por ver suas obras estampadas em novelas da Rede Globo de Televisão. Ficou curioso?! Confira a entrevista a seguir:
Você atuou por oito anos como psicólogo até enveredar pela carreira artística. Como foi o processo de mudança tão brusca em seu caminho profissional?!
Apesar de ser cearense, cresci no Rio de Janeiro. Lá, tive a oportunidade – quando criança – de estudar artes plásticas durante alguns anos no Museu de Arte Moderna, com Ivan Serpa, pintor, desenhista, professor e gravador premiado. Enquanto psicanalista lacaniano, fiz um curso de escultura em fibra de vidro e poliuretano e me apaixonei pela arte em três dimensões, que eu ainda não conhecia. Como sempre considerei as joias verdadeiras obras de arte, resolvi procurar uma formação nessa área.

Seus trabalhos circulam pelo mundo e já foram estampados até em novelas da TV Globo. O que passa em sua cabeça quando vê seu talento exposto na terceira maior emissora do mundo?
A Globo garimpa trabalhos diferentes por todo Brasil. Cada vez que um figurinista de um novo projeto me procura e escolhe peças do meu acervo, ou solicita que eu crie alguma coisa exclusiva, eu sinto como se fosse uma chancela do meu trabalho, uma indicação de que estou no caminho certo, por serem tão criteriosos nessa seleção.
Como é o seu processo de produção? Quais são os materiais que trabalha com mais frequência?
Todas as peças são confeccionadas a mão, num processo de joalheria completamente artesanal. A peça piloto é sempre executada por mim no atelier e repassada para minha equipe de ourives, que atualmente conta com quatro profissionais. A prata 950 é a base de tudo, que dialoga com pérolas, pedras, couro, seda da palha de buriti, puro linho, rendas e outros materiais naturais que utilizo para compor minhas criações. Sob encomenda, trabalhamos também com ouro 18K.
De que maneira analisa o atual mercado de design de joias cearense? Há alguma disparidade em relação ao âmbito nacional?
O mercado cearense é um mercado em expansão, apesar de ainda árido sob alguns aspectos. No Ceará, os números ainda são pequenos se compararmos com o sudeste do Brasil.
Após sua passagem pelo Canadá e por São Paulo, qual a influência na sua carreira depois da imersão nesses lugares?
Estagiar com o designer Rolf Schmidt foi uma experiência única. Durante os 8 meses em que vivi no Canadá estudando design de joias e dividindo a bancada com ele, meu grande mestre, aprendi grande parte do que sei. São Paulo foi o reforço desse aprendizado. De lá para cá, tive ainda a oportunidade de participar de uma iniciativa pioneira no ensino do design no Ceará, que foi o Instituto Dragão do Mar, além de outros momentos de reciclagem profissional. A soma dessas vivências ajudaram a construir esses 20 anos de carreira.
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Com uma rotina tão atribulada, já que o trabalho personalizado requer tempo, como você administra o tempo com a família e a profissão?
Quando a gente tem prazer no que faz, trabalha com maior satisfação e dedicação. Como sou muito ligado à minha família, sempre encontro tempo para estar com eles, apesar da correria do dia a dia.

Quais as dificuldades que mais enfrenta no cotidiano? E os desafios que superou no início da carreira?
Minha maior dificuldade diz respeito ao fornecimento de matérias primas aqui em Fortaleza. Ainda é muito difícil encontrar pérolas, pedras etc. O maior desafio superado foi chegar ao mercado nacional, dificuldade essa que está sendo superada com a loja online, que me permite vender para todo Brasil.
Qual sua marca registrada? Falo, quando as pessoas olham suas peças, elas conseguem identificar que a peça pertence a Cláudio Quindere?
As formas orgânicas, ligadas à natureza, são a minha principal assinatura, como as folhas, flores, animais. Outra característica marcante em minhas peças é a mistura de metais nobres com materiais naturais. E é essa mistura que dá à palha de buriti, por exemplo, um caráter valioso.
Quais são os seus projetos em andamento? E quais os projetos futuros na área da joalheria?
Estou envolvido atualmente na montagem de uma exposição que comemora os meus 20 anos de carreira, que entra em cartaz no final de outubro. São 20 peças referenciais da minha trajetória profissional, algumas premiadas internacionalmente. O conceito é 20 anos em 20 peças. O futuro é sempre mais uma joia a ser criada!
Há alguma intenção de explorar outros países?
O Brasil é um país continental. Por enquanto, conseguindo dar conta dele estou feliz, pois ainda há muito a ser explorado. Mas já andei por aí. Fui convidado a participar de uma exposição de joias brasileiras em Paris, durante o ano do Brasil na França (2005). Mais recentemente, em 2011, minha coleção Tramas do Buriti percorreu, durante um ano, diversas cidades inglesas, dentro da exposição Jewels From Brazil, um desdobramento da Bienal Brasileira de Design 2010.
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Falando sobre tecnologia. Como surgiu a ideia da loja virtual? Seu maior faturamento é on line ou na loja?
A loja online surgiu como uma ferramenta para atender uma demanda nacional. Não temos mais lojas próprias, trabalhando agora com pontos de venda nas principais capitais brasileiras. É online o nosso maior faturamento.
Quais os modelos mais procurados? Brinco, anel, alianças, pingentes?
Os brincos são o ponto alto da marca. Temos também um trabalho intenso com joias para casamentos: alianças personalizadas, cabeças de noiva, terços, braceletes etc.
Como você se inspira para decidir e estudar suas coleções?
Pesquisa é a palavra-chave. Referências na natureza, nas artes visuais, na música, no próprio design. Além de estar atento ao que acontece ao meu redor.
O mercado de joias é muito concorrido em Fortaleza?
Acredito que cada estilo tem o seu espaço.
Como usa a mídia a seu favor?
Invisto na divulgação do meu trabalho via assessoria de comunicação e design, agora com grande enfoque em redes sociais, para posicionamento da marca e ampliação de sua atuação no mercado online.
Nas horas vagas, o que mais gosta de fazer?
Aproveitar a companhia dos amigos e da família. E sou um cinéfilo de carteirinha!
Para finalizar, é de conhecimento que arte abrange liberdade para ser e desenvolver. Qual a importância da sensibilidade na hora de executar seu trabalho artístico?
É de fundamental importância. Sem sensibilidade não existe arte, nem para quem faz nem para quem se depara com ela.
Acompanhe o ensaio fotográfico completo com exclusividade à Coluna Frisson.
Fotos by Lino Vieira.
Confira as fotos
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