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Perdeu - ou vai perder - o treino


Foto: Reprodução


O foco agora fica para aquele treino importante perdido durante a semana. O que devemos fazer quando não tiver feito ou que não será feito no dia proposto?

A semana do público de esportes de endurance é recheada de imprevistos e improvisações, seja profissionais ou pessoais, que alteram a rotina programada. Em certos casos, os "imprevistos" estão na agenda, que antecipa algum treino-chave para um dia mais conveniente. Quanto às "improvisações", temos que observar com cautela.
 
Uma adaptação equilibrada irá manter os objetivos da semana e do bloco da periodização. Antes de qualquer alteração, antecipação ou "correr atrás do prejuízo", devemos entender como é montada a nossa planilha de treinamento.
 
Geralmente, uma semana de longa distância para atletas amadores se inicia com treinos de ritmo e em intensidade moderada para alta, aprimorando os movimentos da modalidade e melhorando a capacidade de utilização do oxigênio para o exercício. O treino estará focado nisso entre segunda e quarta-feira. A depender do número de sessões entre esses dias, a forma que irá na planilha pode ser progressiva, sendo a quarta-feira o dia mais intenso, ou de forma repetida, diminuindo ou aumentando o tempo na alta intensidade.
 
O meio da semana vai ser dedicado para a recuperação ou para o estímulo em zona oxidativa de intensidade, aquela que você consegue sustentar por um tempo prolongado em esforço relativamente moderado ou baixo. Desta forma, estará preparando para o final de semana. Esse período compreende a quinta e a sexta-feira. Novamente, a depender do número programado de sessões, o tamanho (volume) sofre alterações para mais ou para menos.
 
O final da semana é onde está (ou estão) o treino-chave para quem pratica esse tipo de exercício. É o indispensável para quem pensa em melhorar a sua forma no endurance. São treinos que colocarão o seu corpo para funcionar da mesma maneira que no "race day". A intensidade fica sempre sob controle, sem comprometer o sistema energético predominante, para que a atividade seja finalizada com eficiência. Esse treino fica no sábado ou no domingo, ou nos dois dias. 
 
Tendo isso em mãos, você consegue compreender como gerenciar os treinos. A lição aprendida é que você está treinando metabolismo. A consistência, a repetição dessa rotina, adaptará o seu organismo de tal maneira que a própria mentalidade no treino estará voltada para o objetivo de cada dia.
 
É interessante sempre buscar o auxílio de quem está lhe orientando e acompanhando para que o seu jeito de treinar não seja todo alterado por causa de um imprevisto. Ainda que você encontre dificuldade em deixar algum treino para trás, é bem provável que isso aconteça.
 
Quem está habituado a um treino de tiro na quarta, por exemplo, pode achar bem estranho realizar na sexta ou no sábado. É um sinal de que a consistência foi estabelecida e você segue um padrão de estímulos e recuperação, no qual observou resultados para seu desempenho e sua saúde.
 
Ou treinar um longão na terça ou na quarta pode soar totalmente fora de tempo. Quando isso acontecer, o balanceamento do restante da semana, treinos regenerativos e de alta intensidade devem ser realocados para que não se comprometa a semana seguinte, considerando que a rotina sempre irá voltar ao "normal".
 
Uma situação que procuramos evitar é tentar completar em quatro - ou menos - dias todos os treinos programados para sete dias. Observação: dentro dos sete dias estão somados os dias "off" da modalidade ou do esporte, considerados partes integrantes dos treinos, auxiliares na recuperação ou no ganho de força. A visão deve ser "macro", interpretar como aquele treino irá influenciar no que vem a seguir e o tamanho da importância para o ciclo.   
 
Por mais que completar todos os treinos lhe traga realização, essa forma de pensar compromete o seu futuro dentro da próxima semana, do ciclo e da temporada - ou até da sua carreira dentro do esporte.
 
Para planejar um ciclo de treinos, o treinador alinha os objetivos com o tempo que necessita para chegar num pico de desempenho em determinado período do ano. Um treino perdido é sempre uma perda. Mas para tudo existe soluções e que monitorando de forma sensata, os ganhos dos treinos realizados farão que as perdas sejam minadas. O pensamento no dia a dia, às vezes, nos deixa sem a visão da "big picture" que estamos montando para nossos corpos e mentes. 

É importante ter a compreensão que esse período de pico, com duração de aproximadamente 3 a 6 semanas, será atingido uma vez - ou duas, dependendo do nível de condicionamento, e em espaço de 4 a 6 meses entre os picos -, portanto, não se surpreenda com uma baixa em volume e intensidade, que fará o seu desempenho cair. 

Dito isso, entendemos que não existe uma resposta igual para qualquer tipo de treino perdido. A análise deve ser baseada no que você pode ou não ser capaz de realizar, regenerar e adaptar. A resposta deve se adequar aos prazos curto e longo daquele treinamento em questão. Mais uma vez, procure sempre a atenção do responsável pelo seu treino para isso. 
 
Na foto da postagem, Martin van der Poel, ciclista da atualidade que tende a ser um dos maiores de todos os tempos. Vence no cyclo cross, no moutain bike e na estrada. Esse mês, até a camisa amarela no Tour de France vestiu por alguns dias. Nome certo para se assistir nas Olimpíadas de Tóquio.
 
BRENO LEAL LIMA 
@BRENOLEALLIMA 
 

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