Grupo Cidade
Influenciadora cearense e empresária, Vitória Régia fala de moda Plus Size; confira entrevista

A influenciadora conversou com a Frisson sobre seus projetos, aspirações e trajetória. Confira a entrevista

Foto: Lino Vieira

A influenciadora Vitória Régia viu desde o começo o potencial de juntar a comunicação com a moda. Jornalista de formação e apaixonada pelo mundo fashion, ela foi entrando nesse mundo aos poucos, primeiro com dicas de maquiagem, depois com a loja de moda plus size, Glamoda Plus. A paixão seguiu forte e a empresa, fundada em 2020, cresceu e chegou ser divulgada nos stories da influenciadora Bianca Andrade, dona da marca Boca Rosa. 

A influenciadora conversou com a Frisson sobre seus projetos, aspirações e trajetória. Confira a entrevista: 

Frisson: Você é uma comunicadora. Sempre foi assim, quando criança, ou a afinidade foi surgindo depois? 

Vitória Régia: Desde pequena eu tenho esses traços de comunicação, principalmente porque cálculo nunca foi meu forte (risos), eu era aquela criança que gostava de imitar shows de artistas, dançar, cantar e até juntava minhas amigas todas as noites para reproduzir o capítulo do dia de uma novela adolescente. mas a minha percepção aconteceu quando estava na adolescência assisti um filme, que mudou a minha vida, chamado 'Diabo veste Prada' e me encantei pela personagem Miranda Priestly que era uma mulher poderosa e confiante, então foi ali que surgiu meu desejo pela comunicação e moda decidi logo depois que um dia eu iria me formar em jornalismo para atuar nesse segmento, o qual eu achava tão fascinante.

Frisson: Você, antes mesmo de abrir sua loja, começou como influenciadora de moda. pode relembrar sua trajetória, quando começou a perceber no seu Instagram um modelo de negócio? 

Vitória Régia: Em meados de 2012, aconteceu o 'boom' das blogueiras e foi acompanhando algumas que vi ali a oportunidade de criar minha própria revista de moda, através de um blog e assim realizar meu sonho, mas nessa época não tinha vivido meu processo de amor próprio e bati de frente com o medo em mostrar meu corpo, por isso decidi falar de maquiagem ao invés de moda. O mundo virtual me possibilitou uma conexão com pessoas do Brasil inteiro onde, através delas, vivi uma jornada de autoconhecimento enorme que me levou até a coragem de finalmente falar sobre moda na internet e alguns anos depois aqui estamos. O ponto de partida mesmo foi após a minha participação em um reality show de influenciadores, Corrida das Blogueiras, o qual fui finalista representando o nordeste. Ter visto que eu poderia ser representatividade, poderia falar sobre moda e começar a trabalhar de forma publicitária para as marcas me fez finalmente assumir as rédeas de não ser mais um hobby ou forma de exercitar o jornalismo para minha profissão.

Frisson: Como funciona sua carreira no Instagram? A sua prioridade é seguir com as redes sociais? 

Vitória Régia: Hoje em dia ela é um pouco conturbada porque estou vivendo a transição de nicho onde eu era blogueira de moda e maquiagem para se tornar uma blogger empreendedora e que fala sobre moda. Apesar dessa mudança estar acontecendo aos poucos o público tem tido uma boa resposta, estou conseguindo contornar onde cada conteúdo ou quadro vai ser publicado. Sobre as redes serem prioridades, ela mudou muito porque hoje tenho o propósito de crescer minha imagem em prol da minha loja, tendo a associação de que eu falo sobre moda para divulgar minhas peças nessa comunidade. 

Frisson: Quem vê luxo não vê corre. Mesmo com relativamente poucos seguidores, quais são as dificuldades de ser uma influenciadora? 

Vitória Régia: A minha principal dificuldade é ser uma EUPRESA, nome carinhoso que me dou por cuidar de duas empresas sozinhas, então administrar tudo sozinha é muito cansativo e trabalhoso. No Vitória Glamoda, eu cuido da produção de conteúdo desde a criação de estratégia até o post final para o público e só aí faço a função de uns 10 colaboradores (socorro), mas não acaba por aí, porque tenho 2 empresas, a minha como influenciadora e a loja. Na Glamoda Plus é a mesma coisa, mas acabo realizando mais funções montando a estratégia, fazendo a curadoria nacional das peças, contatando fornecedores, revisando cada peça que chega, realizando pequenos ajustes se alguma peça precisar, monto as estratégias, faço a medição de cada uma para tabelar no site, atualizo o site e plataforma de vendas, sou modelo, editora, fotógrafa, videomaker, social media, atender clientes no Whatsapp e fora tudo isso ainda tem a parte administrativa do financeiro, enviar para clientes via correio e delivery, só de falar já estou cansada e incrédula vendo que eu faço tudo isso sozinha. As pessoas muitas vezes só veem o produto final, seja como blogueira ou dona de loja, e não conseguem visualizar o tanto de dedicação que existe por trás de uma estratégia que para eles parecem tão natural no dia a dia. 

Frisson: Uma das cobranças é sempre ter novos stories. Como você lida com essa pressão? 

Vitória Régia: Antigamente, eu ficava mais pilhada com isso, principalmente porque hoje as plataformas vem cada vez mais dificultando a vida dos criadores de conteúdo se tornando até uma máquina caça níquel, onde não importa o quanto você entregue que eles sempre vão querem mais produção de conteúdo, então nesse ponto entra em questão até mesmo a saúde mental de quem trabalha com as redes sociais, pois vale lembrar que um dia sem postar a plataforma "pune" o algoritmo reduzindo as visualizações, ou seja não existe férias, o que prejudica todo o trabalho e mesmo que a gente entenda que números não ditam qualidade ainda sim é uma métrica importante para vender e as marcas que trabalhamos. Hoje em dia tento sempre buscar esse equilíbrio entre minha vida, o que me ajudou muito foi passar a pensar na minha rede social como uma empresa onde eu tenho objetivo com ela e me dedico a criar pensando nesse objetivo e não só por postar.  

Frisson: Você se especializou em moda plus size. Há uma deficiência desse segmento em Fortaleza? 

Vitória Régia: Depois que comecei a me conectar com influenciadores do Brasil todo criando conteúdos sobre suas jornadas, eu vivi uma jornada de autoconhecimento enorme que me levou até a coragem de finalmente falar sobre moda na internet alguns anos depois, mas me deparei com a grande falta de acesso a roupas consideradas fashionistas e de blogueiras, então pensei "como vou ser um ícone fashion se não existe roupa dita tendência no meu tamanho?" e mesmo procurando muito não achava quase nada que desse match com meu estilo, o qual nem sabia que tinha já que só vestia o que dava ao invés do que me agradava né.

Frisson: Pode nos contar a história da Glamoda Plus? 

Vitória Régia: Depois de me decepcionar com o mercado Plus Size coloquei na cabeça que um dia teria minha própria marca de roupas, mas eu não tinha como fazer um investimento desse e deixei o plano para um futuro bem distante. Em 2020, o mundo começou a enfrentar tempos complicados que mudaram a forma de muitas pessoas enxergarem a vida, inclusive eu. Passei alguns meses refletindo sobre meu propósito e percebi que a influência digital como eu estava fazendo não completava mais, então peguei minha primeira parcela do auxílio emergencial olhei para aquele dinheiro e pensei: "é com isso aqui que eu vou mudar minha vida e a de outras pessoas de um novo jeito" dando o start nessa jornada de empreendedora. Hoje, consigo ver claramente que todas as coisas que vivi até aqui foram importantes para tornar a Glamoda Plus algo tão apaixonante e que me completasse de uma maneira inexplicável porque a loja nasceu com a missão de reconectar cada vez mais pessoas, como eu, à moda.

Frisson: A Glamoda Plus, apesar de ter crescido bastante em 2021, passou um tempo sem publicações. Pode falar sobre a loja? 

Vitória Régia: Apesar de eu colocar todo meu amor e dedicação eu nunca imaginei que Glamoda Plus fosse crescer tanto a ponto de termos mais 20 mil seguidores nas nossas redes em apenas em 1 ano, sermos convidados para estrelar uma webserie com a NuvemShop em São Paulo e ainda ser repostada pela Bianca Andrade, que foi minha inspiração para blogueira quando comecei e hoje me inspira como empresária. Como eu disse um pouco antes a saúde mental do criador é algo muito importante e eu precisei pausar a loja justamente com a finalidade de me cuidar e também me recuperar de um trauma na minha vida pessoal, mas já estou bem melhor e ansiosa para o retorno, que vai acontecer ainda esse mês porque a coleção nova chegou e está perfeita para minhas clientes arrasarem muito. 

Frisson: Você também é jornalista. Como sua experiência na comunicação dialoga com seu trabalho na empresa? 

Vitória Régia: Em certos momentos da minha vida chegava a me questionar achando que toda minha jornada como blogueira que tinha blog hahaha a me formar em jornalismo tinha sido em vão, mas percebi que cada passo que eu dei e experiência que vivi me moldou para que hoje a Glamoda Plus tenha dado certo e crescido tanto. Consigo além de ter uma visão ampla como lojista, criadora de conteúdo e consumidora, usando meus conhecimentos adquiridos na faculdade para conseguir atingir meu público nas empresas tendo minha comunidade solidificada.

Frisson: Você exerce a carreira de jornalista, seja na assessoria ou no colunismo? Se não, pretende exercer? 

Vitória Régia: Já exerci, mas foi estágio e não era na área que fazia meu coração brilhar, como moda e entretenimento, mas durante um bom tempo meu blog Vitória Glamoda era um dos blogs parceiros do Jornal O Povo e era incrível. Sempre digo "nunca diga nunca" e no momento não me imagino fazendo outra coisa sem ser ter minha empresa de moda e minha empresa de marca pessoal, mas quem sabe se rolar uma proposta interessante

Frisson: Quais são seus planos para 2022, tanto no pessoal quanto no profissional?

Vitória Régia: Conseguir chegar o máximo que eu puder do equilíbrio entre as duas vidas, cuidando da minha saúde mental e das empresas. Quero crescer na minha empresa de forma saudável levando amor próprio para todo o Brasil. 

COMENTÁRIOS