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Vice-reitor da Unifor, Randal Pompeu defende arte e cultura como identidade

O professor, que é doutor em Gestão pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, instituição portuguesa, conversou com a Frisson sobre sua visão da arte. Confira:

Foto: Lino Vieira

Vice-reitor da Universidade de Fortaleza (Unifor), o doutor Randal Pompeu é formado em Engenharia Civil, mas aos poucos foi encaminhando sua vida para a gestão de projetos culturais. Apaixonado por viagens e pelos aprendizados que essas experiências deixavam, o professor seguiu seu caminho na Universidade, contribuindo para a expansão artística da Unifor como professor, desde 1993, e como vice-reitor, desde 2004. 

O professor, que é doutor em Gestão pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, instituição portuguesa, conversou com a Frisson sobre sua visão da arte, o acervo da Unifor e sua trajetória tanto na engenharia e informática quanto na cultura. Confira: 

Frisson: O senhor possui graduação em Engenharia Civil. Pode comentar como sua atuação foi se deslocando para a gestão e para a arte e cultura?

Randal Pompeu: Tenho uma formação bastante interdisciplinar: sou graduado em Engenharia Civil, mestre em Informática Aplicada e doutor em Administração de Empresas. Trabalhei durante alguns anos como engenheiro no DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e com sócios em construtora. Tive uma experiência de trabalho na área de computação em Paris e ao voltar para Fortaleza fui convidado para coordenar o curso de Informática na Unifor. Aos poucos fui me envolvendo na Unifor com a gestão de projetos culturais, de responsabilidade social e contatos com universidades no exterior.

Eu sempre gostei de viajar! Visitar museus, espaços culturais e universidades são passagens obrigatórias quando ando pelo mundo afora. Tive apoio e influência da família: pelos meus pais Teresinha e Antonio Manoel Pompeu, da minha mulher Gina que são professores universitários, e em especial pelo meu avô, Antonio Martins Filho, criador e primeiro Reitor da UFC, que me proporcionaram o contato e a paixão por universidades.

Frisson: O senhor tem doutorado em Portugal, já em gestão. Pode falar um pouco sobre sua experiência internacional e como ela contribuiu para a sua formação hoje?

Randal Pompeu: Minha experiência no doutorado em Portugal foi muito interessante, bastante rica em aprendizado. Tive a oportunidade de conhecer e pesquisar sobre as universidades portuguesas e brasileiras, em especial a Unifor, em projetos de responsabilidade social. E principalmente verificar como as universidades podem atuar na formação do capital humano e tornar-se ferramenta de desenvolvimento local sustentável.

Frisson: Quando pensamos em uma Universidade, não é incomum relacionarmos a vida acadêmica com arte e cultura. Pode falar sobre como a Unifor faz esse trabalho?

Randal Pompeu: Acredito que a Universidade contemporânea deve preparar profissionais, por meio da educação superior, com formação humana e constantemente atualizada, para poder atuar de forma crítica e produtiva na comunidade. A Universidade mantém-se em sintonia com a sociedade ao trazer para o meio acadêmico as novas concepções do mundo, como arte, cultura e responsabilidade social.

Por meio de várias iniciativas, a Unifor promove exposições de arte no Espaço Cultural e, junto a elas, visitas guiadas e projetos como o Tarde com Arte (de contação de histórias) e Conversa com Artistas, além de apresentações teatrais, musicais, como festival de música erudita e recitais de piano, entre outras manifestações culturais. A Universidade não é apenas o lugar de transmissão de saberes, mas constitui um espaço fundamental no qual se elaboram e se projetam os rumos da cultura.

Frisson: A Unifor é dona de um grande acervo de arte e cultura. Pode falar um pouco sobre esse acervo e seus destaques?

Randal Pompeu: A Fundação Edson Queiroz – FEQ, mantenedora da Unifor, está completando 50 anos de implantação em 2022. Desde o início de sua criação, a FEQ tem apoiado as ações da Unifor em ensino, pesquisa e extensão, e ainda formado um grande acervo de arte e de projetos de responsabilidade social.

Trata-se de um acervo de arte completo, com obras desde o século XVII, com Frans Post, até os artistas contemporâneos, como Beatriz Milhazes.

Por meio das exposições de arte no Espaço Cultural Unifor, tanto do seu próprio acervo como de outras coleções de museus privados e públicos, a FEQ realiza o seu papel de contribuir para a formação completa do cidadão.

Frisson: O senhor tem uma trajetória na arte e na cultura. Como acredita que esse trabalho contribui com a Cidade?

Randal Pompeu: O trabalho da Fundação Edson Queiroz no âmbito cultural conecta amplamente Fortaleza ao circuito das artes, ao possibilitar à sua população a fruição de um acervo de artes que conta a história do Brasil sem nenhuma lacuna, sempre com acesso gratuito. Essa atuação foi, inclusive, reconhecida em 2016 com a outorga do título de Patrimônio Turístico de Fortaleza, pela Prefeitura Municipal, ao Espaço Cultural Unifor. E, neste momento, está em desenvolvimento a criação do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, ao lado do campus da Unifor, equipamento cultural que dará um novo impulso ao cenário de arte e cultura da cidade.

Frisson: Além da cultura e da arte, que outras áreas o senhor se envolve na Unifor?

Randal Pompeu: Sou pesquisador e professor titular do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração de Empresas da Unifor. Atualmente, ocupo o cargo de Vice-Reitor de Extensão na Universidade de Fortaleza com quatro eixos da atuação: Arte e Cultura, Responsabilidade Social, Assessoria Internacional e Desporto. São quatro áreas distintas que possibilitam à Universidade exercer seu papel extensionista, levando o conhecimento e os saberes produzidos na Instituição para fora dos seus muros e conhecendo a realidade na qual está inserida.

Frisson: Como o senhor avalia a arte e a cultura em Fortaleza?

Randal Pompeu: Vejo com muita alegria o surgimento de novos equipamentos culturais na cidade, não somente museus, mas galerias de arte e espaços públicos e privados voltados à arte e cultura. 

Frisson: Qual a importância da arte e cultura para uma cidade? E acredita que esse é um dos papéis das universidades?

Randal Pompeu: A concorrência crescente no mundo econômico tem acelerado o aparecimento de novos postos de trabalho. Delineia-se um novo perfil de profissional, flexível e dotado de conhecimento amplo das necessidades da sua comunidade, capaz de assumir novas situações e envolver-se em soluções de problemas da sociedade. A arte e a cultura contribuem para a valorização do patrimônio cultural, o fortalecimento das identidades, a preservação da memória e refletem ainda as características culturais de seu povo. Possibilita ainda o desenvolvimento da criatividade, da cognição dos indivíduos em várias áreas do conhecimento, potencializa a capacidade de raciocinar sobre imagens e melhora a capacidade de interpretação de textos. Além de tudo isso, ajuda a conhecer nossa história e refletir sobre o cenário contemporâneo.

Neste contexto, urge que as universidades estejam preparadas para o desafio que se apresenta: preparar profissionais de excelência com compromisso social, com a arte e com a cultura. 

Frisson: Quais são seus projetos pessoais e profissionais para 2022?

Randal Pompeu: Meus projetos pessoais são sempre voltados para minha família, minha mulher Gina, meus filhos Victor, Theo e Julia, meus netos Maria e Luiz Randal (que chegará em breve) e minhas noras Gabriela e Tatiana. Na área profissional, estou sempre atento com minha formação e capacitação, ao participar de congressos, seminários e com o desafio em breve de cursar pós-doutorado.

 

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