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Fotógrafo no Cariri, Jonatan Augusto anseia por eternizar momentos

Hoje, com 25 anos, o paraibano - residente no Ceará desde os 3 -, constrói seu nome como fotógrafo no Cariri

Foto: Acervo Pessoal

Jonatan Augusto começou a fotografar oficialmente com 14 anos. O amor pela fotografia foi à primeira vista. “Depois que peguei numa câmera a primeira vez, fiquei fascinado. Explorar as configurações, os diferentes tipos de iluminação…”. Aos 20, já tinha feito do hobbie sua profissão. Na época, cursava arquitetura na Faculdade de Juazeiro do Norte, hoje a Unijuazeiro, mas percebeu que seu desejo mesmo não era ser arquiteto, mas sim fotógrafo. 

Hoje, com 25 anos, o paraibano - residente no Ceará desde os 3 -, constrói seu nome como fotógrafo no Cariri, fotografando pessoas e eternizando momentos.

Jonatan conversou com a Frisson sobre sua trajetória e seu trabalho na pandemia. Confira a entrevista completa: 

Frisson: Você começou a se aproximar da fotografia com 14 anos. O que te chamou atenção nessa arte?

Jonatan Augusto: Eu acho que sempre respondo algo diferente quando me perguntam isso (risos). Sinto que pode ter começado pelo medo do esquecimento, pelo medo de um dia não conseguir lembrar de tudo que vivi. Mas, atualmente, eu diria que foi pelo amor à arte, ao que é belo, pela vontade de mostrar ao mundo a forma que eu vejo a vida, a minha forma de ver as pessoas e perpetuar momentos.

Frisson: Você antes fazia faculdade de arquitetura, certo? Como foi o processo de criar coragem para largar o curso e seguir a fotografia? 

Jonatan Augusto: Durante a faculdade [de arquitetura], eu já trabalhava como fotógrafo. Todo fim de semana, ou quando dava pra encaixar, eu estava fotografando. Naturalmente, fui ganhando nome e ficando mais reconhecido pelo meu trabalho. Num certo ponto, a graduação obviamente começou a demandar mais tempo e dedicação, mas meu amor pela fotografia estava cada vez maior e o mercado estava cada vez melhor pra mim, então tomei a decisão de trancar um ano e me jogar de vez na fotografia. Se desse errado, eu voltaria. Até hoje não deu.  

Frisson: Antes da fotografia, você já tinha tido experiência em alguma arte visual? 

Jonatan Augusto: Não. Sempre fui um grande admirador da arte, ja viajei muito e sempre incluo visitas a museus de arte nas minhas viagens. Mas a fotografia sempre foi a única forma de arte visual que me interessei em praticar.

Frisson: Quais dificuldades você já passou como fotógrafo?

Jonatan Augusto: A maior dificuldade, que eu acho que muitos artistas passam, é a valorização do trabalho. Na fotografia, a cada ano estão saindo celulares com câmeras cada vez melhores e a promessa de um resultado profissional maior, então algumas pessoas acham, equivocadamente, que um celular é capaz de reproduzir esse resultado. Eu simplesmente tentei me tornar o melhor no que faço e mostrar tudo que faz parte do trabalho como fotógrafo. Fazer entender que equipamento é apenas uma ferramenta. Podem ser lançados fogões e panelas cada vez mais tecnológicos. Quem vai continuar fazendo a comida é o chef.

Frisson: Dentro da própria fotografia, há diversas áreas. Quais são suas favoritas e por que? 

Jonatan Augusto: Se eu pudesse escolher, trabalharia somente com moda e ensaios comerciais. É um nicho que chama muito minha atenção e me dá muita liberdade criativa pra explorar. Eu também tenho gostado muito de fotografar profissionais de várias áreas, que vem investindo na imagem, como médicos, empresários, nutricionistas, músicos... A fotografia institucional tem se mostrado um grande amor meu, e um mercado muito promissor no período de pandemia. Além disso, eu faço muitos trabalhos para casais, famílias, gestantes, debutantes, e até me aventuro na fotografia de arquitetura. Todos com muito carinho.

Frisson: Você reúne inclusive experiências internacionais com a fotografia. Pode falar um pouco sobre seu portfólio? 

Jonatan Augusto: Simmmm! Minha primeira experiência internacional foi quando morei nos EUA por um ano, em 2015. Naquela época eu já possuía uma câmera profissional, mas não atuava como fonte de renda (eu estava no país para estudar). Estar presente num lugar com estações do ano bem definidas me ensinou sobre a versatilidade de fotografar em vários ambientes, seja nas cores quentes do outono, no verde do verão, ou na claridade da neve branca. Foi interessante ver meu olhar se adaptando a isso.

Já em 2019, trabalhando oficialmente como fotógrafo, fui convidado por um casal a fazer o ensaio pre-wedding deles no Deserto do Atacama, no Chile, que era um lugar muito especial para eles dois. Eu nunca tinha visto um local tão incrível. Pegar a câmera e perceber que eu estava lá por conta do meu trabalho me deu arrepios que até hoje eu não esqueci.

Frisson: A pandemia fez com que empresas tivessem que investir no institucional e on-line. Como a fotografia fez parte disso? 

Jonatan Augusto: Logo no início da pandemia e nas primeiras semanas de lockdown, as primeiras empresas que precisaram de fotos foram as lojas. Com o comércio fechado, a venda on-line foi muito importante, então eu fiz bastantes trabalhos fotografando roupas, jóias, óculos, acessórios… As empresas precisavam de uma variedade grande de imagens. Seja acervo/catálogo de todos os produtos ou ensaios editoriais para propaganda.

Alguns meses depois disso, profissionais e prestadores de serviço sentiram a necessidade de estarem mais presentes no meio digital e também começaram a investir em fotos. Hoje praticamente todo mundo está presente no Instagram, certo? Então um feed bem construído e um conteúdo bem executado podem impactar diretamente na renda de um profissional liberal.

Frisson: Você também ajuda fotógrafos iniciantes, certo? Pode explicar um pouco como é essa ajuda? 

Jonatan Augusto: Pra mim de nada adianta conseguir um dia chegar no topo se eu não puder ajudar outros da mesma área a crescerem e conseguirem o reconhecimento e valorização pelo trabalho. Então, no meu dia a dia, tento sempre conscientizar outros fotógrafos e ajudar eles(as) a crescerem cada vez mais. Seja simplesmente dando dicas de gerenciamento de carreira, formas de fechar mais contratos, ou dando dicas de como se destacar mais através da edição.

Frisson: Que transformações você observou na fotografia depois da pandemia? 

Jonatan Augusto: A primeira foi, como falei anteriormente, a necessidade de empresas e profissionais liberais de terem seus produtos e serviços registrados para marketing.

A segunda, essa mais sentimental, é que estamos, mais que nunca, percebendo que o tempo passa rápido, que as pessoas queridas da nossa vida nem sempre estarão conosco, que os momentos viram lembranças muito rápido. Você querer olhar pro passado (seja esse 10 anos atrás ou poucos meses) e não ter registrado um momento que jamais vai voltar é uma dor imensa. A fotografia tem o poder de perpetuar qualquer sentimento que seja e te levar de volta nesse momento.

Frisson: Qual o seu maior objetivo na fotografia? 

Jonatan Augusto: A cada dia poder ter a honra de fotografar mais. Saber que eu fui responsável por registrar uma gestação, a concretização de um sonho profissional ou pessoal, perpetuar um momento ou um sentimento na vida de alguém, tudo isso me traz muita gratidão. Imaginar que talvez daqui a 30, 40, 50 anos alguém vai olhar pra fotos de hoje, compartilhar histórias com filhos e netos, e pensar que minhas fotos podem fazer parte dessa história, pra mim não existe sentimento mais incrível.

Se nessa jornada eu puder ser cada vez mais reconhecido e chegar a fotografar pessoas que eu admiro, viajar o mundo e conhecer mais arte e compartilhar conhecimento, tenho certeza que minha vida vai ser o maior sonho já vivido.

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