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Escritor de novelas cearense, Thaffa Silva sonha em ver suas histórias na TV; veja entrevista

O escritor conversou um pouco com a Frisson sobre suas inspirações e produções e contou um pouco de sua trajetória. Confira a entrevista

Foto: Lino Vieira

Escrevendo novelas há 15 anos, o escritor e produtor fortalezense Thaffa Silva gosta de histórias originais. Buscando o incomum e sempre destacando protagonistas mulheres fortes e sonhadoras, o artista começou a escrever em 2004. Hoje, com 32 anos, reuniu roteiros não só de telenovela, mas de minisséries e seriados. 

Encantando pelo remake da novela "Escrava Isaura" (2004), que fora exibida na RecordTV e é baseada no romance de 1875, de Bernardo Guimarães, Thaffa tirou da história a inspiração para sua primeira novela, titulada de “A Paixão de Uma Escrava”. De lá, as temáticas se tornaram variadas, passando por histórias modernas sobre a Deep Web até romances de época. 

Sonhador, Thaffa espera conseguir levar alguma de suas histórias para a televisão e conseguir ver os personagens que tirou de sua cabeça em carne e osso. O escritor conversou um pouco com a Frisson sobre suas inspirações e produções e contou um pouco de sua trajetória. Confira a entrevista: 

Frisson: Você já escreve há 15 anos para novelas. O que lhe inspirou a começar esse ramo? Já tinha experiências com a escrita antes?

Thaffa Silva: Eu passei a gostar de novelas quando comecei a assisti-las com frequência. Assistir novelas como "Roque Santeiro", "A Gata Comeu", "O Clone", "Laços de Família", entre outras. Achava muito bacana todas as histórias. Claro que tinha aquelas histórias que a gente não gosta. Assistia todas, de todos os canais. Mas o meu desejo de escrever teve início em 2004, quando, ainda no ensino médio, tive a ideia de escrever uma novela de época. A princípio, eu não estava levando a sério, mas depois eu fui tendo interesse por essa arte de escrever. Tive que me preparar. Lia livros e notícias de jornais e pude me aprimorar, principalmente, com a escrita, por que, quando você passa a escrever, você precisa saber tudo, pontuações, onde se coloca uma vírgula. Então eu fui aprendendo de verdade como funciona o trabalho do escritor e sua essência. 

Frisson: Atualmente é produtor de rádio e TV, certo? Pode contar sua trajetória na televisão? 

Thaffa Silva: Iniciei minha carreira na televisão como produtor de um programa de música. O nome do programa era o “Vip Show”, que era exibido na TV Metrópole. Eu era um simples iniciante, tinha ideias, mas ninguém me ouvia. Sempre gostei de inovar em tudo que me meto a fazer. Gosto de fazer com que o público se foque, assim como eu, em qualquer veículo no qual eu passe a trabalhar. Depois, participei de três portais de notícias no Facebook: a Metrópole News, Jornal Caucaia e Blog Capuan Notícias, como repórter. Após essa experiência, fui produtor do programa Ely Aguiar, na TV União. No rádio, eu comecei como telefonista de um programa voltado para a área da saúde. Era o Saúde Fitness, que era exibido todos os sábados na Cidade AM 860. Quem apresentava a atração era a jornalista Ana Freires, por quem tenho uma admiração. Sou muito agradecido a ela que me deu essa oportunidade de estar numa das rádios do Grupo Cidade de Comunicação. Devo muito a Ana. Depois, fui convidado a participar do Programa do Domingos Campos Belos, e criamos um quadro voltado para o mundo dos negócios. Gratidão que eu tenho dos meus amigos Domingos Campos Belos e Jamison Páscoa, que acreditaram que eu podia ir mais além, falar no microfone para os ouvintes da rádio. Tudo se torna uma experiência e uma grande bagagem. 

Frisson: Quantas novelas você já escreveu? E qual a sua favorita e por quê? 

Thaffa Silva: Foram tantas que escrevi. Eu perdi foi a contagem, acredita? Mas vamos lá! Minha primeira novela foi “A Paixão de Uma Escrava”. Eu falava sobre a escravidão, a crueldade de senhores de escravos, o comportamento daquela época. E sempre coloquei, em todas as minhas novelas, uma protagonista sonhadora, forte, sofredora, porém, vencedora. A segunda [novela] foi “Chances da Paixão”, onde eu falava sobre encontros e desencontros. Depois, “Páginas Criminosas”, que foi encaminhada pela jornalista Ian Gomes para o núcleo de teledramaturgia do SBT. Isso aconteceu em 2009 e ainda não tive um posicionamento da emissora. “Páginas Criminosas” possuía uma trama bem atual, envolvente e misteriosa. Uma pessoa matava e registrava seus crimes nas páginas de um livro que era guardado a sete chaves. Escrevi “O Domador”, que tinha como coluna central o amor de um homem por cavalos e o dom em dominá-los. Nesta [novela], retratei um tema muito difícil e delicado: o tráfico de órgãos humanos no exterior. Escrevi também uma novela com a temática espiritismo, que foi “Do Outro Lado”. 

Todas essas novelas, as histórias se passavam no Rio de Janeiro. Agora escreve duas novelas com o nosso cenário: no Ceará: “Solo Cearense” e “A Vida”. Escrevi uma novela de época dos anos 20, “Cabra Macho!” Também escrevi “Reviravoltas”, que tinha como coluna central o rapto de menores na Tailândia. Outra que gostei de escrever, “Olhos Partidos”, falava sobre a deficiência visual. Uma professora cega enfrentava muitos desafios e mostrava para o mundo que as pessoas com deficiência têm o seu espaço. Essa última que estou escrevendo, “Vira o Jogo”, falo sobre os altos e baixos da vida humana e também abordo muito a questão dos perigos da internet. Bom... Tem outras. E você me perguntou sobre a novela que eu mais gostei... Na verdade, falando, acredito que seja “O Domador”, por que retratou de um tema esquecido, ou seja, nós sabemos que existe, mas alguns fazem vista grossa e não mostram a realidade dos fatos. Espero um dia poder ser a primeira pessoa, o primeiro autor de novelas a mostrar isso. 

Frisson: Que tipo de gênero você se identifica nas novelas? 

Thaffa Silva: Acredito eu que o romantismo e ação. Principalmente a ação. Uma boa história sem ação, não é uma boa história! Romantismo também é um dos gêneros que não pode faltar em nenhuma novela, em nenhuma história. Quem é que não gosta de torcer pelos mocinhos? 

Frisson: Alguma história sua já foi gravada ou adaptada? Qual você acha que teria o maior potencial para isso?  

Thaffa Silva: Ainda não tive essa honra. Respondendo a segunda pergunta: difícil, porque todas são histórias comoventes, atrativas e novas. Mas... Acredito que “Páginas Criminosas”, porque é uma novela polêmica! 

Foto: Lino Vieira

Frisson: Qual é a sua marca nos roteiros novelísticos? 

Thaffa Silva: Inovação. Você, a cada novela escrita, vai se inovando. Adquire conhecimentos, aprende muito com os personagens e suas histórias. Eu gosto de falar sobre o que ninguém ainda, nas novelas, mostrou. Tiveram coragem para mostrar o que realmente está acontecendo no mundo. Nós sabemos, no entanto, que existe. Porém, é algo que passa despercebido. Vou explicar melhor: nessa novela que estou escrevendo, tem o nome de “Vira o Jogo”, vou falar, nas tramas paralelas sobre a Deep Web, de necrofilia e automutilação em adolescentes. Esses temas existem, eles fazem parte do nosso mundo, mas poucas pessoas sabem o que são, na verdade. Quando você chega para uma pessoa e pergunta se ela já ouviu falar sobre a Deep Web, poucas vão saber. Mas será que elas sabem o que se encontra no mundo da Deep Web? Você fica chocado! Pelo menos eu fiquei quando fui fazer a pesquisa para criação de um personagem que entra nesse mundo obscuro da internet. Necrofilia é outro tema polêmico e que pouco se fala. Automutilação também. Então, você percebe que o escritor de novelas, principalmente os que escrevem não só para si, mas para o público em geral, precisa buscar o novo que está escondido sob nossos olhares, sob os olhares do público. 

Frisson: Além de novelas, já pensou em se aventurar em outros roteiros, como filmes, séries etc?

Thaffa Silva: É o que sempre me falam: ‘por que você não faz um curta, por exemplo?’ Dizem ser mais fácil de fazer. Em relação a filmes, eu já até pensei em escrever. Eu já escrevi alguns seriados policiais, mas não saiu da gaveta. Estão todos guardados, só sinopses. Criei uma minissérie que continha 55 capítulos: “Seringal - Uma História de Amor”. Eu falava sobre o desmatamento na floresta Amazônica, mostrava como era a vida e rotina dos serradores, como agiam as quadrilhas que provocavam a derrubada das árvores. Claro que você primeiro faz uma longa pesquisa sobre o tema para depois ir desenvolvendo toda a história. Depois que eu terminar essa novela que estou escrevendo, "Vira o Jogo ", pretendo partir para escritos mais curtos, que não seja uma coisa longa como as novelas. Novela é muito longa! Toma muito o tempo da gente! E outra: você, quando está escrevendo, convive muito tempo com os personagens, você escuta as vozes de cada um, sabe seus pensamentos, atitudes. Quando acabo de escrever a novela, fico triste por que aqueles personagens não vão mais fazer parte do meu convívio.  

Frisson: Quais são suas inspirações no mundo do roteiro? 

Thaffa Silva: Especificamente falando, minha inspiração vem da vida, das pessoas, da música. As minhas histórias, não todas evidentemente, surgem de matérias de jornais ou às vezes de uma simples conversa. Voltando à resposta da pergunta anterior, “Seringal”, por exemplo, surgiu de uma matéria que vi no Câmera Record, que estava falando e mostrando sobre o desmatamento na Amazônia. Aí fui montando toda a estrutura da minissérie. Lembrando só de uma coisa: minissérie é uma obra fechada, diferente da novela que você pode mudar o enredo. A novela “O Domador”, por exemplo, surgiu quando vi, num programa de TV, falando sobre um homem que tinha o dom de domar cavalos. Aquilo dali me fascinou completamente. A coluna central da novela eu já tinha: o homem que domava cavalos. Quando você vai criar uma novela, é preciso ter uma coluna central, ou seja, o tema principal. Daí você vai montando os ganchos, é como se você pegasse um quebra-cabeça, destrói e vai montando peça por peça. Assim é a novela. Mas tem outra coisa que preciso falar: a minha maior visão se chama Glória Perez. Ela não é a minha inspiração, mas me motiva muito a ir em frente com o meu sonho de escritor de novelas.  Temos algo incomum: mostrar o novo. 

Frisson: Quais são as maiores dificuldades que você encontra nesse ramo? 

Thaffa Silva: É um mercado muito competitivo, é claro. São poucas as oportunidades. Você precisa, antes de tudo, não só ter talento, dom ou vocação, mas sim estar sempre divulgando o seu trabalho para as pessoas te conhecerem e, assim, na sorte, alguém se interessar por suas histórias. Escrever novelas é, pra mim, fácil, o difícil é você publicar. Eu costumo dizer que o mais fácil é publicar um livro do que uma novela, porque a novela é um programa muito caro! 

Frisson: Qual o seu maior objetivo nesse ramo? E o que falta de fato para você alcançá-lo?

Thaffa Silva: O meu maior objetivo é poder, um dia, publicar minhas novelas na televisão. Para algumas pessoas esse meu desejo é impossível de se realizar. Nunca fui pela cabeça de ninguém, porque quando se tem uma sina, você já nasceu pra aquilo, não existem barreiras. É claro que esse mundo de escritor de novelas é um mundo duro, as oportunidades são muito poucas. Se você for fazer uma pesquisa, verá que existem pessoas (escritores), como eu, que tem o desejo de publicar uma novela. Agora, não é necessário ter só o desejo, não. Tem que colocar em prática, correr atrás de mostrar seus trabalhos para quem realmente entenda, fazer contatos com pessoas já da área. Isso eu já venho fazendo. E outra: você tem que gostar de escrever histórias que prendem o público. Pra mim, falta uma oportunidade pra mostrar minhas novelas pra quem entenda do assunto. 

Frisson: Quais são seus planos para 2021 em relação ao seu sonho?

Thaffa Silva: Pretendo mostrar minhas histórias para alguma emissora de TV. Não sei qual ainda, mas vou mostrar ou ter contato com alguma pessoa que possa me dar um suporte. Sou daquele tipo de pessoa que não dorme no ponto, tenho coragem e determinação. A única coisa que eu não posso é deixar que essas novelas fiquem mais tempos na gaveta, sem destino. Elas precisam ser vistas, assistidas, amadas ou odiadas. (Risos). Eu não escrevo pra mim, eu escrevo pensando numa boa história, numa história que provoque impacto, que seja lembrada na mente das pessoas. Assim espero. Mas o futuro a Deus pertence, não é mesmo? Então: Fim!

 

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