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Neuropediatra, dr. André Cabral fala sobre especialidade e sobre Clínica Pediátrica Alberto Lima

O médico conversou com a Frisson sobre a Clínica Pediátrica Alberto Lima e sobre sua trajetória na medicina. Confira a entrevista

Foto: Lino Vieira

Médico formado pela Universidade Federal do Maranhão, o neuropediatra André Cabral tem uma história para cada especialidade. Com uma trajetória de 21 anos na Medicina, desde a sua aprovação, nos anos 2000, o doutor conta que sua paixão pela área começou cedo, principalmente pela influência familiar.

O médico conversou com a Frisson sobre a Clínica Pediátrica Alberto Lima e sua trajetória na medicina. Confira a entrevista: 

Frisson: Pode nos contar a sua história na medicina? Como foi atraído pelo curso, onde e quando se formou?

André Cabral: A Medicina faz parte da minha vida desde sempre. Como filho de médico (Dr Francisco de Assis Cabral, Neurologista), desde criança já brincava e sonhava com a profissão. Ainda não sabia qual a especialidade seguir, mas não seria difícil imaginar que a Neurologia seria a escolhida. Além do meu pai, tenho meu padrinho de batismo (Dr. Soleno Paiva) com a mesma especialidade. Em 2000, fui aprovado no curso de medicina da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, onde passei 6 anos e fiz muitos amigos. Lá conheci a Mariana, também aluna da minha turma, e o namoro começou ainda em 2003. Em 2006, voltei para casa, cheio de expectativas sobre o que vinha pela frente!

Frisson: Pode falar sobre sua história de atuação em Fortaleza? Onde começou os primeiros internatos, primeiros empregos?

André Cabral: Retornando a Fortaleza, já médico, trabalhei no Programa de Saúde da Família de Trairi, por 6 meses. Época de boas lembranças, que unia os primeiros atendimentos como médico e comer pastel de arraia no fim da tarde, em Flexeiras. Em 2007, era tempo de novo começo, iniciava no Hospital Albert Sabin a residência médica em Pediatria. O Sabin foi minha casa por 2 anos, local de muito aprendizado. No último ano da residência, eu e Mariana casamos e demos mais um passo em busca dos nossos sonhos, cada vez mais compartilhados. Chegava a hora de ir em busca da especialidade programada, a Neurologia Infantil na Escola Paulista de Medicina - Unifesp. A mudança para São Paulo foi mais fácil por ser com a Mariana, que cursou Endocrinologia Pediátrica na USP.

Frisson: Você escolheu a neurologia pediátrica. Mas houve outras especializações que te chamaram a atenção?

André Cabral: Sempre soube que começaria com Neuro... Neurologia? Neurocirurgia? Foi a Neuropediatria que me conquistou, já nos últimos anos da faculdade. Dizem que assim agradei meu pai e meu sogro (Dr Alberto Lima, pediatra)... risos.

Frisson: O que lhe atraiu na neurologia, primeiramente? Quais as especificidades do sistema nervoso que considera mais interessante?

André Cabral: É uma especialidade fantástica, apaixonante! São múltiplas especialidades em uma só. A Neurologia pediátrica atende não somente a patologias, mas também crianças com atrasos de desenvolvimento ou condições que trazem prejuízos ao aprendizado ou menor habilidade social – saber que podemos ajudar a otimizar o desenvolvimento é precioso.

Frisson: E sobre a pediatria, o que lhe atraiu? Quais as vantagens de atender crianças? 

André Cabral: Atender crianças traz mais esperança na melhora e expectativas de mudanças. A plasticidade gigante que pode ocorrer em um cérebro ainda muito jovem, traz a responsabilidade de diagnosticar precocemente mas também a recompensa de observar os ganhos após estimulação e tratamento adequado.

Frisson: Como é a área no Ceará? 

André Cabral: A neuropediatria tem crescido bastante no Ceará e assume um papel muito importante, pois temos um número cada vez maior de crianças com necessidade de avaliação neurológica. Ainda precisamos de mais neuropediatras para atuar em áreas especificas, em que ainda temos poucos profissioais atuando.

Frisson: E a Clínica Pediátrica Alberto Lima, como conciliar a ação de médico e gestor?

André Cabral: A gestão da clínica despertou outra paixão – empreender na saúde. Desde 2017 como um dos diretores da clínica, estamos atuando na expansão dos serviços pediátricos ofertados. A clínica foi fundada em 1984 e hoje tem mais de 15 especialidades pediátricas. Temos também um serviço de pronto atendimento (o único exclusivamente pediátrico, fora de ambiente hospitalar) e a Clínica de Vacinação. E os planos não param por aí, podem esperar grandes novidades no cenário da pediatria Cearense nos próximos 3 anos...

Frisson: Em relação ao novo coronavírus, como a neurologia pode se conectar com a doença? Há riscos de sequelas neurológicas? 

André Cabral: Ainda não temos dados que evidenciem uma preocupação com sequelas neurológicas por uma ação direta do novo coronavírus. Ainda observaremos com cuidado. Hoje, me preocupa muito o tempo prolongado de isolamento social. Sabemos que as crianças aprendem através das experiencias vividas, e como então será a repercussão nesses indivíduos que nasceram durante ou pouco antes da pandemia? E as crianças maiores e os jovens? Sabemos que os ambientes em confinamento trazem elevação dos níveis de ansiedade e estamos com os consultórios repletos de crianças e adolescentes com queixas semelhantes. Espero que estejamos vivenciando o início do fim da pandemia, com a chegada das vacinas. Para manter os estímulos para nossas crianças, os pais estão precisando se reinventar nesse período.

Frisson: No começo da pandemia, o senhor criou um canal de Youtube. Como foi a experiência e qual a importância desse diálogo na medicina? 

André Cabral: Não sabíamos quanto tempo tudo isso duraria e precisava criar algo para ocupar o tempo e ser produtivo. Fui convidado para muitas “lives” e ficava pensando em arquivar o material guardado, para não perder em 24 horas. E assim criei o canal no Youtube (youtube.com/andrecabral), uma reunião de conversas sobre temas da neuropediatria. Ficou claro para mim que a internet se tornou o lugar em que os pais recebiam as primeiras informações sobre o desenvolvimento dos filhos – a informação precisava ter qualidade, e eu poderia contribuir com isso!

Frisson: Quais as maiores mudanças e dúvidas que você percebeu entre seus pacientes com a pandemia? 

André Cabral: Os pais ficaram em casa com os filhos e puderam observar de perto o comportamento e desenvolvimento deles. Isso trouxe aflição para muitos – como agir no meio da pandemia? Como procurar ajuda? Nos picos dos casos da infecção por Coronavírus, a telemedicina se apresentou com mais força e a relação médico-paciente ganhou mais essa possibilidade. Hoje, essa modalidade de consulta é uma realidade bem estabelecida, e já atendo por vídeo muitos pacientes de cidades do interior ou de estados vizinhos.

Frisson: Em relação ao combate da pandemia por parte dos municípios, estados e federação, como o senhor avalia a atuação de cada um? 

André Cabral: Ninguém estava preparado e não sabíamos o que enfrentaríamos. As gestões (pública e privada) enfrentaram enormes desafios e não havia um manual onde encontrar as respostas. Acredito que houve mais acertos que erros, mas ainda precisamos da vigilância e antecipação dos eventos para diminuir as graves consequências da pandemia.

Frisson: Acredita que a pandemia irá mudar a relação tanto do indivíduo com a medicina quanto do Estado e o setor da saúde?

André Cabral: Esta relação já mudou, mas não sinto segurança em dizer que para melhor. A Medicina baseada em evidências norteia a prática clínica, mas o que fazer quando não há tempo ou evidências suficientes? Criou-se uma desconfiança sobre o ato médico. A politização das condutas afasta a ciência, trazendo prejuízos irreversíveis. Espero que possamos sair da pandemia com algum ganho, o mais importante seria aprendermos a sermos fortes em sociedade, a ideia da coletividade precisava ser difundida... ainda há tempo!

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