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"Marinheiro das Montanhas", do cearense Karim Aïnouz, é aplaudido por 15 minutos em Cannes

A sessão também foi marcada por protestos contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com foco à sua administração à pandemia do novo coronavírus

Foto: Divulgação

O documentário "Marinheiro das Montanhas", novo filme do cearense Karim Aïnouz, foi aplaudido durante 15 minutos no Festival de Cinema de Cannes. O filme conta a história dos pais do diretor e estava participando como convidado da mostra “Sessões Especiais”.

"Uma emoção gigante ter feito o filme. Ter passado aqui hoje. Ter tido a recepção que teve. O que eu poderia esperar mais de um filme do que esse tipo de recepção? Foi um calor maior do que o calor de Fortaleza", indicou o diretor para o G1. 

A sessão também foi marcada por protestos contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com foco à sua administração à pandemia do novo coronavírus. "Não posso deixar de lembrar que, enquanto estou aqui celebrando com vocês, milhares de brasileiros estão morrendo por absoluto descaso deste governo fascista na condução da pandemia", disse o diretor após a exibição do filme.

"A democracia brasileira respira por aparelhos, parece que falar do Brasil de hoje é falar de um ente querido que está entre a vida e a morte. O mundo precisa agir urgentemente para frear esse governo cuja maior especialidade é destruir e matar deliberadamente. Hoje, o cinema brasileiro e sua imensa cadeia produtiva enfrentam o desafio de sobreviver nesse cenário”, seguiu, recebendo ainda mais aplausos. 

O filme revisita a história de seus pais, a brasileira Iracema e o argelino Majid, desde quando se conheceram, nos Estados Unidos, até quando se separaram, em 1965, quando Majid retornou à Argélia e Iracema chegou ao Brasil, já grávida de Karim. 

O diretor, conhecido principalmente por “Madame Satã” (2002) e “Praia do Futuro” (2014),  foi o vencedor do prêmio “Um Certo Olhar” (“Un Certain Regard”) de 2019 com o longa “A Vida Invisível” (2019). O filme, estrelado por Fernanda Montenegro e Carol Duarte, foi o escolhido do Brasil para concorrer ao Oscar em 2020.

Brasil no Cannes

Além do documentário de Aïnouz, outras duas produções brasileiras marcam presença no festival. Na mostra de curta-metragens, “Sideral”, do diretor potiguar Carlos Segundo, é ambientado em Natal e tem como contexto o momento em que o País irá lançar o primeiro foguete tripulado por brasileiros. 

Na mesma mostra, está o curta “Céu de Agosto”, da diretora e roteirista Jasmin Tenucci. O filme acompanha uma mulher grávida, responsável pela avó doente e que precisa lidar diariamente com a poluição causada pelas queimadas na Amazônia. 

Ainda, ocupando uma posição de destaque no Festival, o direto Kléber Mendonça Filho ("Bacurau") é um dos nomes que compõem o júri do Cannes. 

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