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Presidente da Sinduscon, Patriolino Dias fala sobre setor imobiliário e futuro da construção civil

O empresário conversou com a Frisson sobre o mercado imobiliário, sua trajetória como empreendedor e sobre seus projetos na Sinduscon

Foto: Lino Vieira

Presidente do Sindicato da Indústria e Construção Civil (Sinduscon) desde 2020 e diretor executivo da Dias de Sousa Construções, Patriolino Dias de Sousa tem uma trajetória no empresariado e no mercado imobiliário. Terceira geração da família a seguir o ramo, o executivo tem uma afinidade com o empreendedorismo antes mesmo da faculdade de Administração de Empresas, realizada na Uece. 

O empresário conversou com a Frisson sobre o mercado imobiliário, sua trajetória como empreendedor e sobre seus projetos na Sinduscon. Confira: 

Frisson: O senhor tem uma trajetória como empresário. Pode falar sobre essa trajetória, e o que te aproximou da administração e empresariado? 

Patriolino Dias: Faço parte da terceira geração da família que trabalha no mercado imobiliário. Eu sempre gostei de comercializar algumas coisas. Ainda na infância, gravava fitas k7 e vendia para os colegas da escola, depois comprava e vendia relógios, carros, mas eram negócios informais. 

Assim que completei 18 anos, eu já tinha clareza da minha vocação para empreender. Foi quando ingressei na Associação dos Jovens Empresários. Aos 20 anos, em 1995, com o incentivo da minha mãe, montei uma padaria de auto serviço. Para iniciar, fiz um projeto e consegui um empréstimo junto ao Banco do Nordeste. Foi quando realizei o sonho de abrir meu primeiro negócio - a Padaria La Focaccia. A concepção da empresa era moderna e sofisticada para a época. Além do auto serviço, também dedicamos um espaço para a venda de produtos importados, oferecendo um serviço com requinte e qualidade para os nossos clientes. Após enfrentar alguns desafios, em 1998, abri a segunda unidade na Av. Washington Soares, próximo às Seis Bocas. 

Eu, que sempre tive um espírito muito cooperativo, nessa época, cheguei a ocupar a vice-presidência do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará - Sindpan.

Quase duas décadas depois, devido a uma proposta espetacular de um Banco para alugar o prédio onde funcionava a padaria, abri meus olhos para o mercado imobiliário, que já era uma tradição da minha família. Foi aí que chegou o momento de focar no trabalho com a minha mãe, na então Construtora Delta, que já havia iniciado desde 1994 e posteriormente, virou a Construtora Dias de Sousa.

Frisson: O senhor atualmente é diretor executivo da Dias de Sousa e presidente do Sinduscon. Como ser presidente do sindicato lhe ajuda na liderança da construtora? Percebe algum conflito entre as duas funções? 

Patriolino Dias: De forma alguma. Uma atividade complementa a outra. Para mim, fazer parte de uma entidade, promove troca de ideias. A gente sabe onde o colega acertou e onde errou. Os problemas são semelhantes e as soluções surgem de forma mais eficiente, quando há um grupo unido em busca dessa solução. 

Frisson: O setor imobiliário e de construção tem crescido bastante, principalmente em Fortaleza. Como observa essa evolução? O que a motivou? 

Patriolino Dias: O fator determinante para esse aumento da compra e venda de imóveis foi a diminuição da taxa de juros dos financiamentos oferecida pelos bancos. Quando temos uma redução da taxa de juros, a prestação é menor e, consequentemente, a renda familiar exigida também, permitindo que o maior número de pessoas possa realizar o grande sonho da casa própria.

O isolamento social imposto pela pandemia da covid-19 também fez com que muitas famílias avaliassem melhor a moradia e desejassem imóveis maiores, com condições de fazer um home office, com área de lazer e maior comodidade de forma geral. 

Além disso, a bolsa de valores tem oscilado bastante comprometendo os investimentos; a renda fixa também está rendendo pouco ou até abaixo da inflação. Portanto, algumas pessoas estão investindo em imóveis. Isso porque as construtoras ainda possuem estoque com preços bem convidativos.

Frisson: Como a Dias de Sousa Construções trabalha a sustentabilidade?

Patriolino Dias: As boas práticas nas obras da Construtora Dias de Sousa passam pela utilização de materiais recicláveis e pelo esforço para diminuir os desperdícios com a adoção de processos da construção civil. 

Nos nossos empreendimentos, adotamos reuso de água, o maior aproveitamento da luz natural e disponibilizamos espaço para coleta de pilhas e baterias usadas.

Além disso, temos um projeto social voltado para os filhos dos nossos colaboradores. É o Descobrindo Saberes, no qual trabalhamos educação e arte com crianças e adolescentes. Inclusive, essa iniciativa ganhou o Prêmio Nacional CBIC de Responsabilidade Social.

Frisson: Como o setor foi impactado pela pandemia? E como ele deve fechar em 2021? 

Patriolino Dias: O setor da construção civil cearense encontra-se numa curva de crescimento com cenário extremamente favorável para venda e também para a geração de emprego e renda. O Sinduscon Ceará segue atuando pela representatividade do setor, fortalecendo a construção civil na geração de emprego, renda, qualidade de vida e inclusão social. 

Com a redução do estoque de imóveis, em 2021 o mercado receberá o aporte dos lançamentos que já começaram a ser feitos pelas construtoras. A expectativa do setor é gerar 10 mil novos postos de trabalho em 2021 e encerrar o ano com R$ 2,1 bi em vendas.

O Estado do Ceará teve a maior expansão do financiamento imobiliário em 27 anos. Nos primeiros seis meses deste ano, os financiamentos imobiliários movimentaram mais de R$ 1,65 bilhão no Ceará. O montante representa uma alta de 169% em relação ao primeiro semestre de 2020 e é a maior expansão desde o início da série histórica, em 1994, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). 

Ao todo, foram financiados no primeiro semestre deste ano 7.914 imóveis no Estado. O número é mais do que o triplo do registrado nos primeiros seis meses de 2020, quando houve a venda de 2.595 unidades.

Somente no mês de junho, o crédito transacionado com recursos da poupança chegou a R$ 309,1 milhões no Ceará, salto de 114%. O melhor desempenho no ano até agora.

Frisson: A pandemia foi uma forma das pessoas pensarem em inovações e de se adaptarem às tecnologias. Como isso ocorreu no setor de construção? 

Patriolino Dias: É uma tendência. As novas tecnologias estão transformando o atendimento do mercado imobiliário de maneira célere, embora não vá deixar de lado o processo presencial. Para se adaptar às demandas, os investimentos em tecnologias aumentaram e há muita inovação nos processos, resultando em mais comodidade para os clientes e aumento das vendas. 

Podemos citar como exemplos: atendimento 100% on-line, por meio de redes sociais e plataformas responsivas, visitas remotas e passeios virtuais pelos imóveis, assinaturas de contratos feitas eletronicamente, entre outras facilidades. Hoje em dia, é possível comprar um imóvel sem sair de casa, fazendo tudo de forma virtual.

A inteligência artificial e a realidade aumentada já são ferramentas usadas para a divulgação de novos lançamentos imobiliários. Algumas construtoras e imobiliárias já disponibilizam recursos como os óculos de realidade virtual, por meio dos quais os produtos são apresentados.

Frisson: Como o senhor observa o crescimento econômico do Estado? Onde podemos observar melhoras e pioras?

Patriolino Dias: Mesmo diante de um cenário de crise devido à pandemia da Covid-19, as ações do Governo do Ceará de apoio à economia foram fundamentais para que o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado não sofresse uma retração ainda maior em 2020. O PIB cearense passou por uma redução de 3,56% em relação a 2019. 

O auxílio emergencial, oferecido pelo governo federal aos menos favorecidos, também ajudou muito a economia, principalmente nos Estados mais pobres.

Apesar da segunda onda da pandemia, que afetou fortemente diversos setores da economia mundial, a perspectiva para a economia cearense em 2021, projetada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), é de um crescimento da ordem de 3,55%, superior à projeção para o índice nacional, de 3,23%, de acordo com o Relatório Focus do Banco Central do Brasil.

O setor de serviços foi fortemente impactado pela pandemia por conta das proibições e restrições de circulação, mas acreditamos que a indústria da construção civil será protagonista no processo de retomada da economia do nosso Estado.

Frisson: Qual sua opinião em relação às decisões do governo estadual em relação à pandemia? Como elas tiveram impacto no setor imobiliário? 

Patriolino Dias: O governo atuou de forma técnica, respeitando as recomendações das autoridades de saúde e manteve diálogo franco e aberto com o Sinduscon Ceará e com os diversos setores da economia.

No período de isolamento social rígido, alguns lançamentos foram postergados, mas os estoques disponíveis foram se reduzindo rapidamente. Isso porque muitas pessoas perceberam, confinados em casa, que precisavam de espaços maiores. A queda da Selic, taxa básica de juros que influenciou empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Em 2020, a taxa caiu sucessivamente até atingir a marca de 2% ao ano, quando chegou ao menor patamar da história no Brasil.

Frisson: Seu mandato no Sinduscon segue até 2023. Quais são seus objetivos neste tempo? 

Patriolino Dias: Eu e minha diretoria queremos uma gestão do Sinduscon mais moderna, fazer com que as pessoas se integrem mais, fazendo com que essa união que sempre fez parte do Sinduscon dê cada vez mais força para a gente. Nossa administração é democrática e participativa. Toda a diretoria soma forças e trabalha sempre em conjunto para o fortalecimento do setor. 

Nos esforçamos ao máximo para pautar os trabalhos do sindicato no intuito de aprimorar o mercado da construção civil. Defendemos os programas de habitação de interesse social como uma política de estado e não de governo.

E o que continuamos querendo dos governos são regras claras, uma segurança jurídica boa para que a gente consiga empreender. 

Frisson: E quando o seu mandato terminar, quais são seus próximos planos?

Patriolino Dias: Estarei sempre disponível à coletividade e ao Sinduscon. Isso faz parte da minha essência desde quando iniciei a minha trajetória profissional. Sempre tive esse espírito cooperativo. Eu acredito que a união faz a força e que fazer parte de uma entidade nos aproxima, nos fortalece e nos inspira como empresários. 

Quando  encerrar minha jornada na presidência do Sinduscon-CE, poderei me dedicar ainda mais ao trabalho na Construtora Dias de Sousa.

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