Artista pernambucano, Dersu Jr. foca em pinturas digitais de personalidades; Confira entrevista

Focando em pinturas digitais para construir retratos de personalidades, o artista assina mais de 1.000 imagens, entre encomendas e divulgação

Foto: Divulgação

Natural de Gravatá, cidade a poucos mais de 84 quilômetros de Recife, Dersu Jr., artista de fôlego e criatividade, começou deixar sua própria marca. Focando em pinturas digitais para construir retratos de personalidades, o artista assina mais de 1.000 imagens, entre encomendas e divulgação.

O artista conversou com a Frisson sobre o seu processo de criação e sua trajetória na arte. Confira a entrevista: 

Frisson: Como você se encontrou na arte? É uma atividade desde criança ou é uma paixão recente? 

Dersu: Desde criança, gostei de desenhar. Não era algo que já saia perfeito. Acredito que o perfeccionismo veio desde cedo e fazer algo que, pra mim, visivelmente não estava legal me incomodava. Acredito que por isso insisti em sempre melhorar. Sou autodidata e muitas vezes não foi fácil continuar insistindo em realizar os trabalhos.

Frisson: Como você foi se percebendo artista e artista profissional? Foi uma decisão consciente ou algo que foi acontecendo?

Dersu: Durante maior parte da minha vida, trabalhei sempre em empresas, e usava os desenhos como um hobby, fazia alguns trabalhos com arte mas sempre foi em segundo plano, então as coisas foram acontecendo até que, há uns 3 anos, comecei a focar nas artes e desde então não parei mais. Vi que cada dia que passava o trabalho aumentava e foi quando a ficha caiu que eu era um artista vivendo de arte. Foi maravilhoso!

Frisson: Você tem como foco a ilustração digital. O que te atraiu nessa modalidade específica? 

Dersu: O perfeccionismo me levou à pintura digital. Desenhar e pintar a lápis tem algumas limitações, cores, correções, etc. No digital, eu consigo chegar aonde realmente desejo, nas cores, detalhes. O trabalho em camadas me proporciona um leque de possibilidades, e o resultado é sempre satisfatório.

Dersu com atriz Marina Ruy Barbosa. Foto: Acervo Pessoal

Frisson: Que outros tipos de arte você se aventura ou tem interesse em conhecer?

Dersu: Tem algo que tenho vontade que é transformar as pessoas em personagens, tipo aqueles de desenhos animados sabe? Mas ainda encontro dificuldades, pois a criação de personagens é algo totalmente diferente das pinturas realistas. São olhos, formato de rosto, traços, texturas, tudo diferente. O fato de sair dessa referência da perfeição que são as pinturas digitais realistas, faz com que eu tenha dificuldades em desconstruir o que passei tanto tempo para construir.

Frisson: Por que você faz pinturas de pessoas públicas? E como você decide quais serão seus modelos? 

Dersu: Pessoas públicas costumam ajudar nos artistas na divulgação do nosso trabalho, fazendo com que nosso engajamento seja positivo. Costumo escolher pessoas que admiro, não é só abrir a internet e escolher. As escolhas são feitas por ter algum tipo de afinidade com aquelas pessoas, e nesse caminho encontrei artistas maravilhosos, super atenciosos.

Frisson: O que é ser artista em Pernambuco ? Quais são as dificuldades e quais as características?

Dersu: Não diria apenas no meu estado, mas no meu País. Viver de arte é um grande desafio. Não há incentivos, não há valorização da classe, infelizmente. Nós (artistas) que nos ajudamos e os entusiastas e amantes dos movimentos artísticos que fortalecem essa expressão tão rica culturalmente.

Frisson: Você utiliza alguma característica regional na sua arte? 

Dersu: Olha falar do meu “país Pernambuco” é falar de exuberância, é falar do maximalismo. Essas referências eu trago no meu DNA. Além de ter uma característica de realismo, eu amo misturar texturas, brincar com as cores, as formas... E cá pra nós?! Nós pernambucanos fazemos isso muito bem, haja vista nosso carnaval, nosso São João, semana santa, nossa literatura, nossa gastronomia. Tudo máxi, e quanto mais, melhor.

Frisson: Na pandemia, como você foi se moldando à nova realidade? Houve grande mudança? 

Dersu: Em relação ao trabalho, no dia-a-dia acabou aumentando porque o tempo em casa foi ainda maior. Aproveitava para produzir mais conteúdo de divulgação. Mas em relação às encomendas, houve uma queda. Mesmo assim, eu não parei de trabalhar em nenhum momento.

Frisson: Quais são suas inspirações na arte, tanto em nomes quanto em elementos? 

Dersu: Desde criança eu tinha uma relação com a imagem de uma forma muito particular, e comecei a desenhar para tentar reproduzir tudo. De artistas, Sandy foi uma das primeiras. O tempo foi passando, chegou a era digital, tive algumas resistências no princípio. Achava que migrar do papel pro digital “perderia” o sentido. Mas fui desconstruindo esse pensar e me encontrei. Atualmente tenho uma grande admiração pelos ilustradores Higgo Cabral e a Debb Oliver. Ambos tem um trabalho lindo, inspirador e que me emociona. 

O cotidiano me inspira. Gosto da linguagem atual, moderna, cheio de estímulos. E aprendi usar isso ao meu favor, enquanto artista. Acho que isso aproxima, populariza e cria vínculos afetivos.

Frisson: Quem é você, além do artista? 

Dersu: Sou um cara metódico, perfeccionista- virginiano né gente?! Crítico e sociável, Leal, companheiro, amo a natureza e os animais. Criativo nato, imagético, Apaixonado por luz, cores e música.  Autodidata em quase tudo, nestas expressões artísticas me emociono, comunico e revelo um pouco mais de mim - e também descubro um bocado de mim.

 

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